{"id":18904,"date":"2023-10-05T10:00:00","date_gmt":"2023-10-05T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/?p=18904"},"modified":"2023-09-28T10:03:53","modified_gmt":"2023-09-28T13:03:53","slug":"judicializacao-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/2023\/10\/05\/judicializacao-da-saude\/","title":{"rendered":"Judicializa\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p>O Estado Constitucional est\u00e1 assentado no dever de progresso e na proibi\u00e7\u00e3o do retrocesso. O dever de progresso imp\u00f5e ao Estado o avan\u00e7o na sua atua\u00e7\u00e3o legislativa, executiva e judicial, pois a pretens\u00e3o estatal n\u00e3o se limita ao j\u00e1 conquistado, aceitando a melhoria qualitativa e quantitativa das presta\u00e7\u00f5es materiais e imateriais em prol da sociedade. O dever de progresso est\u00e1 conectado ao princ\u00edpio do desenvolvimento e se projeta para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o de retrocesso em sa\u00fade constitui princ\u00edpio constitucional fundamentado em v\u00e1rios princ\u00edpios:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Estado Democr\u00e1tico e Social de Direito<\/li><li>Dignidade da pessoa humana<\/li><li>M\u00e1xima efic\u00e1cia e efetividade das normas definidoras de direitos fundamentais<\/li><li>Seguran\u00e7a jur\u00eddica<\/li><li>Prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a<\/li><li>Nega\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o de retrocesso<\/li><li>Sistema de prote\u00e7\u00e3o internacional<\/li><li>Enunciados dos artigos 3\u00ba, 170, 196 e seguintes da Constitui\u00e7\u00e3o<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>(NETTO 2010)&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algum tempo o Poder Judici\u00e1rio tem examinado pedidos de usu\u00e1rios do sistema de sa\u00fade para condenar o Estado a fornecer medicamentos, tratamentos e tecnologia sob o argumento de que a CF88 estabeleceu que a sa\u00fade \u00e9 direito fundamental a ser perseguido e implementado conforme preconizam os artigos 6\u00ba e 196. A quest\u00e3o central \u00e9 saber se o direito \u00e0 sa\u00fade possui limita\u00e7\u00e3o. Como a no\u00e7\u00e3o geral \u00e9 que sem sa\u00fade n\u00e3o h\u00e1 dignidade humana, a sa\u00fade seria direito absoluto do cidad\u00e3o. Em geral, o Judici\u00e1rio fundamenta que o direito \u00e0 sa\u00fade est\u00e1 previsto na Constitui\u00e7\u00e3o e que cabe ao Estado prestar toda e qualquer pol\u00edtica para efetiv\u00e1-lo. Via de regra, o pr\u00f3prio STF utiliza apenas argumentos jur\u00eddicos para condenar entes p\u00fablicos ao fornecimento de medicamentos o que n\u00e3o \u00e9 a melhor forma de enfrentar a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe dever estatal de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os preventivos e curativos, individuais e coletivos de maneira ampla. Essa dimens\u00e3o objetiva do direito fundamental \u00e0 sa\u00fade condiciona a atua\u00e7\u00e3o do legislativo, do administrativo e o juiz no exerc\u00edcio e controle das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade. O Estado est\u00e1, pois, cercado de pelo menos tr\u00eas deveres:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Dever de respeito \u2013 n\u00e3o pode violar o direito \u00e0 sa\u00fade<\/li><li>Dever de prote\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o pode permitir a viola\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 sa\u00fade<\/li><li>Dever de promo\u00e7\u00e3o \u2013 prover condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para o pleno exerc\u00edcio do direito \u00e0 sa\u00fade.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Concomitantemente deve proteger a dimens\u00e3o subjetiva do direito fundamental \u00e0 sa\u00fade. Descumprimento do princ\u00edpio da integralidade permite que o cidad\u00e3o solicite ao Estado-juiz o respeito e a repara\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o \u00e0quele direito fundamental. Contudo, o STF j\u00e1 proferiu v\u00e1rias decis\u00f5es nas quais rejeita a exist\u00eancia de direitos absolutos, pois, a escassez de recursos financeiros impede que a Constitui\u00e7\u00e3o confira, a todo brasileiro, o direito de ter a melhor presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de sa\u00fade existente no mundo.&nbsp;&nbsp; (<strong>ALEXY, 2015<\/strong>). Portanto, o fato de o sistema jur\u00eddico brasileiro contemplar a sa\u00fade como direito fundamental social, n\u00e3o implica em que n\u00e3o sejam levados em conta o aspecto f\u00e1tico da limita\u00e7\u00e3o financeira e dos recursos humanos e tecnol\u00f3gicos. Via de regra, no Brasil, a quest\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o financeira em geral \u00e9 esquecida na judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Ressalte-se que n\u00e3o existe lugar no mundo onde o sistema de sa\u00fade seja completo, perfeito e impec\u00e1vel exatamente pelas limita\u00e7\u00f5es financeira, de recursos humanos e de tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sistemas de sa\u00fade e jur\u00eddico nacionais precisam encontrar um caminho comum inevit\u00e1vel para buscar a efici\u00eancia por meio de integra\u00e7\u00e3o do conhecimento e dos processos de pesquisa cient\u00edfica para fundamentar decis\u00f5es que se fundamentem em boas evid\u00eancias e que possam trazer maior seguran\u00e7a e efici\u00eancia, qualidades fundamentais para qualquer decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas por determina\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o representa invas\u00e3o de poderes nem ofensa \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal, pois realizada dentro das peculiaridades do caso concreto e lastreada na dignidade da pessoa humana, ou seja, pela necessidade de preserva\u00e7\u00e3o do n\u00facleo essencial dos direitos fundamentais, em que se inserem os chamados direitos de subsist\u00eancia, quais sejam, sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o (<strong>GANDINI 2010<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise do conte\u00fado normativo do direito \u00e0 sa\u00fade inscrito na Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 artigos 6\u00ba, 196 a 198- demonstra que n\u00e3o existe direito subjetivo constitucional de acesso universal, gratuito, incondicional e a qualquer custo, a todo e qualquer meio de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. Assim, \u201c<em>n\u00e3o se pode ter como existente direito l\u00edquido e certo de obter do Estado, gratuitamente, o fornecimento de medicamento de alto custo, n\u00e3o inclu\u00eddo nas listas pr\u00f3prias expedidas pelos \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnicos de formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica nacional de medicamentos e, ademais, considerado pelos \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos do Poder P\u00fablico (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e \u00f3rg\u00e3os colegiados do sistema \u00fanico de sa\u00fade-SUS) e pela opini\u00e3o da comunidade cient\u00edfica como ineficaz para o tratamento da enfermidade, na situa\u00e7\u00e3o apresentada pelo Impetrante. Acertada, portanto a decis\u00e3o do tribunal recorrido, de denegar a ordem\u201d<\/em> (REsp 24.197, 1\u00aa Turma, Relator Teori A. Zavaski, julgado em 04 de maio de 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo fundamental de reduzir as incertezas no tocante a decis\u00f5es m\u00e9dicas passa pelo que inicialmente foi denominado Epidemiologia Cl\u00ednica e hoje \u00e9 conhecido como Medicina Baseada em Evid\u00eancias (MBE). Evid\u00eancia, em ingl\u00eas, significa prova, ou seja, medicina baseada em provas no norteamento das decis\u00f5es m\u00e9dicas e da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os objetivos que o trabalho dos profissionais do Direito necessita, constituem, tamb\u00e9m, o uso de evid\u00eancias para seus processos decis\u00f3rios. Portanto, se as decis\u00f5es m\u00e9dicas e\/ou jur\u00eddicas n\u00e3o tiverem embasamento em conhecimentos cient\u00edficos voltados para a defini\u00e7\u00e3o de diretrizes que busquem a efic\u00e1cia, a efetividade, a efici\u00eancia, e a seguran\u00e7a no que se refere \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento em sa\u00fade, a racionaliza\u00e7\u00e3o do que se denomina Judicializa\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, n\u00e3o pode utilizar o poder do judici\u00e1rio em benef\u00edcio dos cidad\u00e3os e da sustentabilidade de sistema de Sa\u00fade, agravando a car\u00eancia de recursos financeiros e a pr\u00f3pria sustentabilidade do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentes aspectos cient\u00edficos devem ser incorporados pelos atores do sistema de Justi\u00e7a. Para exemplificar: incorpora\u00e7\u00e3o de medicamentos nas listas oficiais; autoriza\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o e venda de rem\u00e9dios; dispensa\u00e7\u00e3o de medicamentos para determinada mol\u00e9stia.&nbsp; Entretanto esses temas n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es meramente jur\u00eddicas. Imp\u00f5e-se que os dados oriundos da ci\u00eancia m\u00e9dica e farmac\u00eautica sejam objeto de debate. A base para esse debate devem ser os protocolos cl\u00ednicos e diretrizes terap\u00eauticas e a MBE que podem ter papel preponderante na solu\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que impera no Brasil o do \u201cMito do Governo Gr\u00e1tis\u201d, no qual o Estado tem o dever de prestar tudo sem nenhum custo. Esse pensamento equivocado \u00e9 adotado muitas vezes pelo pr\u00f3prio Judici\u00e1rio que toma decis\u00f5es que desequilibram o sistema p\u00fablico de sa\u00fade e o sistema suplementar de sa\u00fade (<strong>CASTRO, 2014<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>O direito \u00e0 sa\u00fade \u00e9 conceito diferente do direito de ter sa\u00fade. Nem sempre a concess\u00e3o de medicamentos ou de procedimentos, embora possa contemplar o direito \u00e0 sa\u00fade, \u00e9 capaz de restaura o direito de ter sa\u00fade, porquanto a limita\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre as causas b\u00e1sicas de muitas doen\u00e7as impede que o tratamento ou procedimento concedido judicialmente possa restaurar a sa\u00fade do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ocorre a partir de duas hip\u00f3teses:<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba- Quando se postula o exerc\u00edcio do direito j\u00e1 reconhecido, mas negado na via administrativa. Exemplo- medicamento, tratamento ou tecnologia j\u00e1 incorporado pelo SUS ou pelos planos de sa\u00fade, mas n\u00e3o dispensados ao cidad\u00e3o. A tend\u00eancia nesses casos \u00e9 que o juiz julgue procedente o pedido o que n\u00e3o causa problemas maiores para o demandado &#8211; entes p\u00fablicos ou operadoras planos de sa\u00fade \u2013 vez que o tratamento postulado j\u00e1 existe.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba- Quando a discuss\u00e3o processual gira em torno de direitos n\u00e3o reconhecidos na via administrativa. Isso pode ocorrer, por exemplo, com tratamentos e tecnologias n\u00e3o incorporados, sem registro na ANVISA e sem comercializa\u00e7\u00e3o no mercado nacional, ou quando n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para usufruir de tecnologia j\u00e1 incorporada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos a proced\u00eancia do pedido deve ser analisada com rigor por n\u00e3o haver previs\u00e3o legal para a sua concess\u00e3o. Por isso mesmo o papel do Judici\u00e1rio deve ser de equil\u00edbrio. O artigo 5\u00ba, inciso XXXV da Constitui\u00e7\u00e3o fundamenta a judicializa\u00e7\u00e3o ilimitada das demandas sociais e pol\u00edticas no Estado Brasileiro. N\u00e3o h\u00e1 limitador para o ajuizamento das a\u00e7\u00f5es judiciais, o que levou o Judici\u00e1rio a assumir a tarefa de regular e disciplinar tais quest\u00f5es, passando de coadjuvante do estado a ator principal. O Estado tornou-se gigante e incapaz de satisfazer todas as demandas, principalmente no \u00e2mbito da sa\u00fade. O Poder judici\u00e1rio tornou-se o canal para controle da atua\u00e7\u00e3o estatal, para corrigir os desvios e omiss\u00f5es dos demais poderes (<strong>CL\u00c9VE, 2011<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>O papel do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) na judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/p>\n\n\n\n<p>O CNJ criou grupo de trabalho para estudo e propostas de medidas concretas e normativas para as demandas judiciais envolvendo a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade (Portaria 650, 20.11.2009). Em decorr\u00eancia foi aprovada a Recomenda\u00e7\u00e3o n\u00ba 31, em 30.03.2010, pelo plen\u00e1rio do CNJ, que passou a estabelecer diretrizes aos ju\u00edzes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas que envolvem o direito \u00e0 sa\u00fade. Essa Recomenda\u00e7\u00e3o observa os seguintes assuntos;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Elevado n\u00famero de processos judiciais sobre o tema da sa\u00fade<\/li><li>Alto impacto or\u00e7ament\u00e1rio para cumprimento das decis\u00f5es<\/li><li>Relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria diante da finalidade de assegurar vida digna aos cidad\u00e3os<\/li><li>Car\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas prestadas aos ju\u00edzes do Brasil sobre os problemas de sa\u00fade<\/li><li>Necessidade de pr\u00e9via an\u00e1lise e registro da ANVISA para comercializa\u00e7\u00e3o de medicamentos no Brasil nos termos do 12 da Lei 6.360\/76 c\/c a Lei 9782\/99<\/li><li>Reivindica\u00e7\u00f5es dos gestores para que sejam ouvidos antes da prolata\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es judiciais<\/li><li>Import\u00e2ncia de assegurar a sustentabilidade e gerenciamento do SUS.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Posteriormente, o CNJ elaborou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 107, de 06.04.2010 que instituiu o F\u00f3rum nacional do Judici\u00e1rio para monitoramento e resolu\u00e7\u00e3o das demandas de assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade \u2013 F\u00f3rum da Sa\u00fade com as seguintes atribui\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Monitoramento das a\u00e7\u00f5es judiciais que envolvam presta\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, como o fornecimento de medicamentos, produtos e insumos em geral, tratamentos e disponibiliza\u00e7\u00e3o de leitos hospitalares<\/li><li>Monitoramento das a\u00e7\u00f5es judiciais relativas ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade<\/li><li>Proposi\u00e7\u00e3o de medidas concretas e normativas voltadas \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o de rotinas processuais, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de unidades judici\u00e1rias especializadas<\/li><li>Proposi\u00e7\u00e3o de medidas concretas e normativas voltadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de conflitos e \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias nas quest\u00f5es de direito sanit\u00e1rio<\/li><li>Estudo e proposi\u00e7\u00e3o de outras medidas consideradas pertinentes ao cumprimento do objetivo do F\u00f3rum Nacional.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O F\u00f3rum da Sa\u00fade \u00e9 composto por um Comit\u00ea Executivo Nacional, integrado por um juiz auxiliar da Presid\u00eancia, ju\u00edzes com atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, especialistas, integrante do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Sa\u00fade (CONSEMS ) e Conselho Nacional de Secretarias de Sa\u00fade (CONASS). A constitui\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum de Sa\u00fade conta com participa\u00e7\u00e3o de membros de Comit\u00eas Estaduais e do Comit\u00ea Distrital. Ressalte-se que os Comit\u00eas Estaduais t\u00eam em sua composi\u00e7\u00e3o membros do sistema de justi\u00e7a e do sistema de sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Composi\u00e7\u00e3o do sistema de justi\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Ju\u00edzes federais<\/li><li>Ju\u00edzes de direito<\/li><li>Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal<\/li><li>Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual<\/li><li>Procuradorias Estaduais<\/li><li>Procuradorias Municipais<\/li><li>Defensoria P\u00fablica Federal<\/li><li>Defensoria P\u00fablica Estadual<\/li><li>Ordem de Advogados do Brasil<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Composi\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Gestores das Secretarias Estaduais de Sa\u00fade<\/li><li>Gestores das Secretarias Municipais de Sa\u00fade<\/li><li>Farmac\u00eauticos<\/li><li>Gestores da Medicina Suplementar<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A composi\u00e7\u00e3o dos Comit\u00eas contribui para efetivar a teoria dos di\u00e1logos institucionais com aproxima\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos diversos atores. O di\u00e1logo permite, tamb\u00e9m, a independ\u00eancia e a harmonia entre os Poderes da Uni\u00e3o, conforme preconiza o art. 2\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A finalidade do F\u00f3rum da Sa\u00fade do CNJ \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da judicializa\u00e7\u00e3o, sem limitar o exerc\u00edcio da cidadania. Quando inevit\u00e1vel a discuss\u00e3o judicial os agentes envolvidos devem tentar resolver a lide da forma menos agressiva e menos onerosa para os envolvidos. Para tanto foram adotadas algumas iniciativas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Cria\u00e7\u00e3o dos N\u00facleos de Apoio T\u00e9cnico (NAT) &#8211; compostos por profissionais das \u00e1reas m\u00e9dica, farmac\u00eautica, assist\u00eancia social e membros das Secretarias Estaduais e Municipais de Sa\u00fade. A finalidade \u00e9 auxiliar os magistrados na delibera\u00e7\u00e3o sobre processos envolvendo temas de sa\u00fade, manifestando-se sobre registro de medicamento na ANVISA; efic\u00e1cia e efici\u00eancia do tratamento solicitado; exist\u00eancia de medicamento gen\u00e9rico de menor pre\u00e7o, j\u00e1 fornecido administrativamente pelo SUS; custo efetividade do tratamento. O NAT auxilia o juiz na an\u00e1lise do pedido de liminar ou do pedido principal. Al\u00e9m dessas fun\u00e7\u00f5es o NAT auxilia no cumprimento das decis\u00f5es judiciais, devido a dificuldades e obst\u00e1culos muitas vezes criados pelos demandados, na facilita\u00e7\u00e3o da defesa dos entes p\u00fablicos, na simplifica\u00e7\u00e3o do atendimento de demandas na defensoria p\u00fablica, na facilita\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o de acordos e na contribui\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de provas com participa\u00e7\u00e3o em audi\u00eancias e emiss\u00e3o de pareceres.<\/li><li>Elabora\u00e7\u00e3o de Enunciados \u2013 Estes contemplam resumos de pr\u00e1ticas de sucesso e sugerem aos diversos atores do sistema judicial e do sistema de sa\u00fade.<\/li><li>Edi\u00e7\u00e3o de Cartilhas \u2013 Alguns Comit\u00eas Estaduais do F\u00f3rum de Sa\u00fade passaram a editar cartilhas com s\u00edntese de pensamentos obre o tema da sa\u00fade. Por exemplo, o Comit\u00ea do Rio Grande do Norte elaborou cartilha sobre oncologia no SUS, contendo informa\u00e7\u00f5es sobre:<\/li><li>Pol\u00edtica de dispensa\u00e7\u00e3o de medicamentos oncol\u00f3gicos no SUS<\/li><li>Eventos cobertos pela Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o Oncol\u00f3gica (PNAO)<\/li><li>Estrutura e organiza\u00e7\u00e3o da rede de aten\u00e7\u00e3o oncol\u00f3gica<\/li><li>Credenciamento de cl\u00ednicas e hospitais conveniados<\/li><li>Protocolos e diretrizes terap\u00eauticas dos SUS<\/li><li>Formas e procedimentos de pagamento pelos servi\u00e7os prestados aos benefici\u00e1rios do SUS, na \u00e1rea oncol\u00f3gica<\/li><li>Oncologia e a Lei 12.732\/2012<\/li><li>Dispensa\u00e7\u00e3o centralizada de medicamentos na \u00e1rea oncologia<\/li><li>Termos t\u00e9cnicos utilizados em oncologia<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Mutir\u00f5es de concilia\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade \u2013 Processos espec\u00edficos ou com pedidos id\u00eanticos s\u00e3o levados para tentativa de concilia\u00e7\u00e3o entre as partes envolvidas. C\u00e2maras de concilia\u00e7\u00e3o podem ser criadas para atuar na resolu\u00e7\u00e3o de problemas de sa\u00fade p0\u00fablica e tamb\u00e9m de sa\u00fade suplementar, inclusive previamente ao ajui8zamento da a\u00e7\u00e3o judicial. Caso n\u00e3o se consiga a concilia\u00e7\u00e3o o juiz pode proferir decis\u00e3o liminar ou definitiva na pr\u00f3pria audi\u00eancia.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Especializa\u00e7\u00e3o de varas de sa\u00fade p\u00fablica \u2013 o CNJ faz recomenda\u00e7\u00e3o aos tribunais dos Estados e aos Tribunais Regionais Federais para especializa\u00e7\u00e3o de varas para processar e julgar processos cujo objeto tenha sido sa\u00fade p\u00fablica e priorizar julgamento de processos relativos a demandas de sa\u00fade suplementar. O CNJ recomendou, ainda, sugerir \u00e0 Escola Nacional de Forma\u00e7\u00e3o e Aperfei\u00e7oamento (ENFAM) e ao Centro de Forma\u00e7\u00e3o e Aperfei\u00e7oamento de Servidores do Poder Judici\u00e1rio (CEAJUD) do pr\u00f3prio CNJ a inclus\u00e3o do direito sanit\u00e1rio como disciplina obrigat\u00f3ria em concursos p\u00fablicos de ingresso na magistratura e nos cursos de forma\u00e7\u00e3o, vitaliciamento e aperfei\u00e7oamento (Recomenda\u00e7\u00e3o CNJ, n\u00ba 31, 2010).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Jornada de direito da sa\u00fade do CNJ \u2013 Com a finalidade de reunir autoridades das \u00e1reas da sa\u00fade e do direito para debater a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, uniformizar entendimentos e auxiliar as decis\u00f5es dos agentes de sa\u00fade e dos integrantes do sistema de sa\u00fade foram produzidos e aprovados enunciados interpretativos. A I jornada aconteceu em maio de 2014, com aprova\u00e7\u00e3o de quarenta e cinco enunciados.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Enunciados de sa\u00fade p\u00fablica \u2013 As premissas foram relativas a procedimentos e a seguran\u00e7a de procedimentos que empregam tecnologias postuladas na via judicial. As diretrizes aprovadas nessa primeira jornada foram:<\/li><li>Evitar sempre que poss\u00edvel interna\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica<\/li><li>Necessidade de renova\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do relat\u00f3rio m\u00e9dico nas decis\u00f5es de car\u00e1ter continuado<\/li><li>Verifica\u00e7\u00e3o do atendimento pela via administrativa antes da judicializa\u00e7\u00e3o<\/li><li>Esgotamento dos protocolos cl\u00ednicos e diretrizes terap\u00eauticas do SUS ou demonstra\u00e7\u00e3o de sua inviabilidade diante do quadro cl\u00ednico apresentado pelo paciente<\/li><li>Ado\u00e7\u00e3o do rito ordin\u00e1rio quando o pleito envolver medicamento n\u00e3o registrado na ANVISA, experimental ou interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, incompat\u00edvel com o rito dos juizados especiais<\/li><li>Evitar o fornecimento de medicamentos n\u00e3o autorizados pela ANVISA ou experimentais<\/li><li>Nos tratamentos oncol\u00f3gicos os pacientes devem ser acompanhados por CACON\/UNCOM<\/li><li>Necessidade de observ\u00e2ncia as regras administrativas de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias entre os gestores<\/li><li>Cumprimento das normas da CONEPE e da ANVISA nos tratamentos experimentais<\/li><li>N\u00e3o cabe ao SUS o cumprimento de servi\u00e7os de assist\u00eancia social<\/li><li>Inclus\u00e3o do autor do processo judicial no programa de acompanhamento do SUS<\/li><li>Comprova\u00e7\u00e3o da inefetividade do tratamento fornecido pelo SUS<\/li><li>\u00a0Oitiva do gestor previamente \u00e0 decis\u00e3o judicial de fornecimento de medicamento, tratamento ou produto.<\/li><li>Indeferimento de pedido quando n\u00e3o comprovada a inefetividade ou impropriedade do tratamento fornecido pelo SUS<\/li><li>\u00a0Indica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica nas prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o de marca<\/li><li>\u00c9 do autor do processo judicial o \u00f4nus de provar a aus\u00eancia de evid\u00eancia cient\u00edfica, inefetividade ou impropriedade do tratamento do SUS<\/li><li>Os munic\u00edpios podem indicar representantes para compor os n\u00facleos de Assessoramento ou Apoio T\u00e9cnico (NATs)<\/li><li>Os NATs devem se manifestar previamente \u00e0 decis\u00e3o liminar ou antecipat\u00f3ria de tutela<\/li><li>Recomenda\u00e7\u00e3o para o autor apresentar question\u00e1rio t\u00e9cnico respondido por seu m\u00e9dico.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Enunciados de sa\u00fade suplementar<\/li><li>As operadoras de sa\u00fade est\u00e3o obrigadas a fazer insemina\u00e7\u00e3o artificial ou fertiliza\u00e7\u00e3o <em>in vitro<\/em> apenas se houver previs\u00e3o contratual<\/li><li>Os contratos devem observar o rol de procedimentos de cobertura obrigat\u00f3ria previsto em Resolu\u00e7\u00e3o da Agencia Nacional de Sa\u00fade (ANS)<\/li><li>O regime jur\u00eddico dos planos coletivos \u00e9 diferente do regime jur\u00eddico dos planos individuais<\/li><li>A ANS deve ser consultada nos lit\u00edgios judiciais sobre extens\u00e3o e cobertura de procedimentos<\/li><li>Cabe \u00e0 operadora as despesas de terceiro profissional indicado para dissipar d\u00favida entre o profissional indicado pelo segurado e pela pr\u00f3pria operadora<\/li><li>N\u00e3o pode ser negada assist\u00eancia com base em doen\u00e7a preexistente desconhecida<\/li><li>\u00c9 l\u00edcito exclus\u00e3o de cobertura de produto n\u00e3o nacionalizado ou experimental<\/li><li>Devem ser observados os normativos do CFM, do CFO e o rol de procedimentos da ANS. Nas decis\u00f5es judiciais para fornecimento de OPME deve ser mencionada a descri\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e observar a regulamenta\u00e7\u00e3o vigente<\/li><li>O juiz deve exigir do m\u00e9dico assistente a comprova\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia, efetividade, seguran\u00e7a e evid\u00eancia cient\u00edfica do tratamento, medicamento ou OPME indicado<\/li><li>Cabe a audi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o com o m\u00e9dico ou odont\u00f3logo para dirimir d\u00favidas t\u00e9cnicas acerca da prescri\u00e7\u00e3o<\/li><li>Os ju\u00edzes devem utilizar o NAT ou servi\u00e7o equivalente<\/li><li>A peti\u00e7\u00e3o inicial deve conter a descri\u00e7\u00e3o completa do tratamento, medicamento, produto e do quadro cl\u00ednico do autor da a\u00e7\u00e3o judicial<\/li><li>&nbsp;Os integrantes do sistema de Justi\u00e7a devem utilizar os pareceres da CONITEC e da ANS<\/li><li>N\u00e3o podem ser negados os servi\u00e7os e tratamentos previstos na Lei 9.556\/98 e no rol de procedimentos e eventos em sa\u00fade, incluindo-se aqueles decorrentes de complica\u00e7\u00f5es de procedimentos m\u00e9dicos e cir\u00fargicos de procedimentos n\u00e3o cobertos<\/li><li>Cabe ao consumidor comprovar o seu v\u00ednculo com a respectiva pessoa jur\u00eddica, sob pena de seu contrato ser considerado individual.<\/li><li>Enunciados de biodireito<\/li><li>As manifesta\u00e7\u00f5es antecipadas de vontade devem ser feitas preferencialmente por escrito, admitindo-se outras formas inequ\u00edvocas<\/li><li>Pesquisa com seres humanos devem ser promovidas com base na sua necessidade, sua utilidade, sua proporcionalidade e com observ\u00e2ncia dos direitos fundamentais<\/li><li>O estado de filia\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre apenas do v\u00ednculo gen\u00e9tico, incluindo a reprodu\u00e7\u00e3o assistida com material gen\u00e9tico de terceiro, derivando da manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de vontade da parte<\/li><li>Pessoas do mesmo sexo podem ser consideradas pais no registro de nascimento de indiv\u00edduo gerado por reprodu\u00e7\u00e3o assistida<\/li><li>\u00c9 inconstitucional a limita\u00e7\u00e3o de idade m\u00e1xima para que mulheres possam submeter-se a tratamento ao tratamento e \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o por reprodu\u00e7\u00e3o assistida<\/li><li>Se houver comprova\u00e7\u00e3o do desejo pessoal fica dispensada a cirurgia de transgenitaliza\u00e7\u00e3o para a retifica\u00e7\u00e3o do nome de registro civil<\/li><li>Admite-se a retifica\u00e7\u00e3o do sexo jur\u00eddico sem a realiza\u00e7\u00e3o da cirurgia de transgenitaliza\u00e7\u00e3o<\/li><li>O absolutamente incapaz em risco de morte pode ser submetido a tratamento m\u00e9dico contra a vontade do seu representante<\/li><li>Na gesta\u00e7\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o em reprodu\u00e7\u00e3o humana assistida, deve-se observar a determina\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o dos autores do projeto parental que promoveram o procedimento.&nbsp;&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Os enunciados mencionados apontam para a necessidade de se ampliar e fortalecer o di\u00e1logo entre os agentes p\u00fablicos respons\u00e1veis pela concretiza\u00e7\u00e3o do direito fundamental \u00e0 sa\u00fade. A atua\u00e7\u00e3o isolada do sistema de justi\u00e7a e do sistema de sa\u00fade trava o progresso almejado pela sociedade. Operadores do direto e gestores de sa\u00fade precisam discutir e analisar, em conjunto, os fatores t\u00e9cnicos externos \u00e0 teoria jur\u00eddica e, por isso, o conhecimento m\u00e9dico com base cient\u00edfica precisa ser observado na an\u00e1lise do processo judicial sobre o tema da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da regula\u00e7\u00e3o por \u00f3rg\u00e3os oficiais e pela legisla\u00e7\u00e3o e da garantia constitucional o direito \u00e0 sa\u00fade ainda continua a ser concedido pela avalia\u00e7\u00e3o subjetiva do julgador. Por certo, a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade n\u00e3o pode exigir a chancela do Judici\u00e1rio em todas as op\u00e7\u00f5es e escolhas, diante do enorme n\u00famero superior a cem milh\u00f5es de processos em tramita\u00e7\u00e3o. O uso adequado dos escassos recursos exige postura adequada do sistema de Justi\u00e7a, incluindo o Poder Judici\u00e1rio, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria P\u00fablica e Advocacia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns problemas que dificultam a aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de sa\u00fade podem ser levantadas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A\u00e7\u00f5es coletivas \u2013 N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de processos judiciais individuais para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas coletivos. \u00c9 preciso fomentar o manejo de a\u00e7\u00f5es coletivas para permitir que os tratamentos, medicamentos ou pol\u00edticas postulados apresentadas ao Judici\u00e1rio sejam direcionadas a maior n\u00famero de pessoas.<\/li><li>Flexibilidade na an\u00e1lise de pedidos deduzidos judicialmente \u2013 h\u00e1 decis\u00f5es judiciais provendo fornecimento de p\u00edlula estimulante sexual, chocolate ou alimento sem gl\u00faten para portador de doen\u00e7a cel\u00edaca, com base em prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica tecnicamente duvidosa. Estaria o juiz vinculado ao que consta na prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica? A resposta baseada na Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o, nos termos do artigo 5\u00ba, inciso XXXV \u2013 princ\u00edpio da inafastabilidade do controle jurisdicional. O juiz n\u00e3o \u00e9 ref\u00e9m do m\u00e9dico e o m\u00e9dico n\u00e3o possui superpoderes para prescrever, vez que deve observar as pr\u00e1ticas cientificamente comprovadas e a legisla\u00e7\u00e3o regente.<\/li><li>Di\u00e1logo entre o sistema de justi\u00e7a e o sistema de sa\u00fade &#8211;&nbsp; a atua\u00e7\u00e3o isolada de cada um desses dois sistemas impede a evolu\u00e7\u00e3o e o progresso desejado pela sociedade. A melhor decis\u00e3o judicial sobre tratamento de sa\u00fade deve passar pela an\u00e1lise de fatores t\u00e9cnicos externos \u00e0 teoria jur\u00eddica. O conhecimento medico e farmacol\u00f3gico precisa ser incorporado ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o jurisdicional.<\/li><li>Conhecimento das pol\u00edticas de sa\u00fade pelos atores do sistema de sa\u00fade. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulga os programas existentes no \u00e2mbito do Governo Federal; a CONITEC informa o procedimento de incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias ao sistema de sa\u00fade p\u00fablica; a Rela\u00e7\u00e3o Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) divulga os f\u00e1rmacos dispon\u00edveis no SUS.<\/li><li>Fomento \u00e0 media\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o \u2013 Os Entes p\u00fablicos, gestores de sa\u00fade e procuradores, devem ser mais acess\u00edveis \u00e0s pol\u00edticas de concilia\u00e7\u00e3o e de media\u00e7\u00e3o. A ultrapassada ideia de que a fazenda p\u00fablica n\u00e3o pode fazer acordo precisa ser abandonada.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O papel do Poder Judici\u00e1rio est\u00e1 desvirtuado. Ao inv\u00e9s de controle da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, da gest\u00e3o adequada e dos atos e contratos praticados no espectro das operadoras de plano de sa\u00fade, verificando v\u00edcio, omiss\u00e3o, ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato administrativo e, em decorr\u00eancia, revisar ou anular tal ato, a atua\u00e7\u00e3o do juiz hoje \u00e9 substituir o administrador p\u00fablico. O Judici\u00e1rio controla tudo, sem qualquer limite e, em raz\u00e3o da escassez de tempo, de recursos humanos essa nova fun\u00e7\u00e3o do magistrado adsorvendo sem limites todas as demandas do cidad\u00e3o brasileiro, tira do Judici\u00e1rio as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para exercer sua fun\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ilustrativas dessa situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>O cidad\u00e3o que arca com os custos de tratamento e de medicamento cobra do Estado o valor pago.&nbsp;&nbsp;<\/li><li>A\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o impetradas pelo cidad\u00e3o, em face do ente p\u00fablico por despesas pagas em procedimento cir\u00fargico.<\/li><li>Decis\u00e3o judicial que determina interna\u00e7\u00e3o em CTI<\/li><li>Decis\u00e3o judicial que obriga o Estado a arcar com o pagamento de medicamento.<\/li><li>Indeniza\u00e7\u00e3o a ser paga por hospital p\u00fablico por atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica que n\u00e3o conseguiu o resultado almejado, sem comprova\u00e7\u00e3o da culpa do profissional m\u00e9dico.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Essas situa\u00e7\u00f5es eram limitadas aos agentes do sistema de sa\u00fade. Hoje constituem problemas enfrentados pelo juiz ao julgar processos sobre direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Recurso Extraordin\u00e1rio 368.564 simboliza o cen\u00e1rio atual sobre judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Trata-se de decis\u00e3o do STF que concedeu a v\u00e1rias pessoas, portadoras da condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de retinose pigmentar, com todas as despesas custeadas pelo Estado, o direito de obter tratamento em Cuba, sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da efic\u00e1cia e efetividade do tratamento. O laudo existente apontava a aus\u00eancia de cura. Apesar disso o STF condenou o Estado.&nbsp; A an\u00e1lise da mat\u00e9ria teve in\u00edcio em sess\u00e3o realizada no dia 8 de abril de 2008, quando o relator, ministro Menezes Direito (falecido), entendeu que o pedido do grupo n\u00e3o poderia ser deferido, votando no sentido de prover o recurso da Uni\u00e3o. Segundo ele, essa doen\u00e7a n\u00e3o tem cura e&nbsp;a viagem para&nbsp;Cuba seria in\u00f3cua, feita \u00e0s custas do er\u00e1rio. O relator afirmou \u00e0 \u00e9poca&nbsp;que o direito \u00e9 conferido se existe a possibilidade certificada de cura, \u201c<em>de que existe o tratamento, de que \u00e9 poss\u00edvel perante os requisitos que o Estado estabeleceu: laudo, parecer, indica\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>. No entanto, avaliou que no caso concreto h\u00e1 um laudo do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, segundo o qual n\u00e3o existe tratamento em lugar algum.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomado o julgamento em 13 de abril de 2011, o Relator, ministro Marco Aur\u00e9lio, ao proferir seu voto-vista, negou o recurso e abriu diverg\u00eancia, ao permitir a viagem ao exterior. Segundo ele, o direito \u00e0 sa\u00fade \u00e9 fundamental e \u00e9 um dever do Estado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201c [&#8230;] Eu n\u00e3o posso compreender que se articule a inexist\u00eancia de lastro econ\u00f4mico-financeiro para se negar um tratamento \u00e0 sa\u00fade a um cidad\u00e3o\u201d, disse, ao citar como precedente o Recurso Extraordin\u00e1rio (RE) 271286. Pelo que leio nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, o tratamento dessa doen\u00e7a, com \u00eaxito, est\u00e1 realmente em Cuba\u201d<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o demonstra a forma inadequada como s\u00e3o analisados os processos judiciais sobre sa\u00fade. Custa acreditar que decis\u00e3o judicial seja proferida, tendo como base informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e n\u00e3o o sistema jur\u00eddico com previs\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>O direito \u00e0 sa\u00fade previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal n\u00e3o possui alcance ilimitado e n\u00e3o confere direitos absolutos aos destinat\u00e1rios do seu texto. Por outro lado, o CNJ aprovou o Enunciado n\u00ba 13: \u201c<em>Nas a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade que pleiteiam do poder p\u00fablico o fornecimento de medicamentos, produtos ou tratamentos, recomenda-se, sempre que poss\u00edvel, a pr\u00e9via oitiva do gestor do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, com vistas a inclusive identificar solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do requerente \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o, compet\u00eancia do ente federado e alternativas terap\u00eauticas\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade foi melhor normatizada pela Lei 12.401\/2011 com cria\u00e7\u00e3o da CONITEC e de requisitos para incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias pelo SUSa saber:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a efic\u00e1cia, acur\u00e1cia, a efetividade e a seguran\u00e7a do produto ou procedimento objeto do processo.<\/li><li>Avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica comparativa dos benef\u00edcios e dos custos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias j\u00e1 incorporadas inclusive no que se refere aos atendimentos domiciliar, ambulatorial, ou hospitalar quando cab\u00edvel.<\/li><li>A cirurgia adotada \u00e9 o melhor procedimento baseado em evid\u00eancia cient\u00edfica<\/li><li>A cirurgia \u00e9 eficaz e eficiente para o tratamento<\/li><li>Configura a melhor op\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do ponto de vista do custo-benef\u00edcio relativamente a outros tratamentos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe meios para controlar o valor cobrado pelo profissional da \u00e1rea m\u00e9dica contratado pela parte autora do processo judicial. Nos casos de interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria o magistrado deve avaliar o quadro f\u00e1tico com base nas informa\u00e7\u00f5es do gestor do hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m v\u00e1rios processos judiciais de pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o ajuizados em face dos entes p\u00fablicos ou das operadoras de planos de sa\u00fade em raz\u00e3o de demora no tratamento ou na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade. Os fundamentos da teoria cl\u00e1ssica da responsabilidade civil estabelecidos em v\u00e1rios diplomas legais. Nos casos em que os danos aos particulares decorrem de omiss\u00e3o do Estado devido a defici\u00eancia ou inexist\u00eancia do servi\u00e7o de sa\u00fade, a responsabilidade ser\u00e1 de ordem subjetiva, cabendo \u00e0 v\u00edtima a prova da exist\u00eancia do fato, do dano, do nexo de causalidade entre um e outro e a culpa da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Relat\u00f3rio Justi\u00e7a em N\u00fameros do CNJ em 2013 existiam 95,3 milh\u00f5es de processos em tramita\u00e7\u00e3o. Como cada processo exige duas partes e havia \u00e0 \u00e9poca do relat\u00f3rio cerca de 200 milh\u00f5es de habitantes, praticamente todos os brasileiros litigam em um processo judicial. A explica\u00e7\u00e3o para esse elevado n\u00famero de processos judiciais engloba:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>Cultura do lit\u00edgio<\/li><li>Facilidade de acesso \u00e0 Justi\u00e7a<\/li><li>Estrutura funcional e burocr\u00e1tica do sistema de justi\u00e7a<\/li><li>Facilidade maior de pedir ao juiz do que enfrentar fila do SUS<\/li><li>Qualidade deficiente de servi\u00e7os m\u00e9dicos<\/li><li>Gratuidade<\/li><li>Necessidade de ser politicamente correto<\/li><li>Aus\u00eancia de an\u00e1lise adequada dos fatos<\/li><li>Primazia absoluta do direito \u00e0 sa\u00fade<\/li><li>Aus\u00eancia de governan\u00e7a p\u00fablica<\/li><li>Fomento \u00e0 meritocracia<\/li><li>Desrespeito ao consequencialismo<\/li><li>Aus\u00eancia de cultura da responsabilidade<\/li><li>Subsidiariedade no SUS<\/li><li>Necessidade de equil\u00edbrio na rela\u00e7\u00e3o livre iniciativa e direito do consumidor<\/li><li>Necessidade de reajuste na cadeia de intermedi\u00e1rios<\/li><li>Equil\u00edbrio contratual nos planos de sa\u00fade<\/li><li>Cultura da medicamenta\u00e7\u00e3o<\/li><li>Cumprimento do dever fundamental de exercer a boa administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/li><li>Amplia\u00e7\u00e3o e concretiza\u00e7\u00e3o do papel da CONITEC no SUS<\/li><li>Ado\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio de decis\u00e3o judicial<\/li><li>Melhoria na defesa dos entes p\u00fablicos<\/li><li>Aplica\u00e7\u00e3o adequada da proporcionalidade<\/li><li>Defini\u00e7\u00e3o das prioridades<\/li><li>Redes<\/li><li>Princ\u00edpios constitucionais do direito \u00e0 sa\u00fade<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>A CF88 elevou a sa\u00fade ao n\u00edvel dos direitos sociais (art.6\u00ba), estabelecendo regras de compet\u00eancia legislativa, de planejamento e de execu\u00e7\u00e3o. A Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios t\u00eam compet\u00eancia comum para cuidar da sa\u00fade (art. 23, II). A Uni\u00e3o \u00e9 competente para legislar sobre direito sanit\u00e1rio (art. 24, XII). O munic\u00edpio tem compet\u00eancia para prestar servi\u00e7os de atendimento \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, com coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e financeira da Uni\u00e3o e do Estado (art. 30, VII) e previs\u00e3o de limites m\u00ednimos de aplica\u00e7\u00e3o de recursos or\u00e7ament\u00e1rios na sa\u00fade (art. 34, VI, e). Al\u00e9m dessas regras de compet\u00eancia e custeio, a Constitui\u00e7\u00e3o instituiu no cap\u00edtulo da Seguridade Social, uma se\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 sa\u00fade (art. 196 e seguintes). Os artigos 196 e 198, praticamente definem a moldura do Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c<em>Art. 196. A sa\u00fade \u00e9 direito de todos e dever do Estado, garantido mediante pol\u00edticas sociais e econ\u00f4micas que visem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do risco de doen\u00e7a e de outros agravos e ao acesso universal e igualit\u00e1rio \u00e0s a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os para sua promo\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o\u201d. <\/em>\u00a0\u00a0<\/p><p>Art. 198. <em>As a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema \u00fanico, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:<\/em><\/p><p><em>II \u2013 atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem preju\u00edzo dos servi\u00e7os assistenciais\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ficou institu\u00eddo, pois, o sistema p\u00fablico de sa\u00fade, as a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade passaram a ser mat\u00e9ria de relev\u00e2ncia p\u00fablica (art.197), tornou livre \u00e0 iniciativa privada a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade (art. 199) em sintonia com o artigo 170 que trata dos princ\u00edpios que regulam a atividade econ\u00f4mica. Concebeu-se assim um sistema \u00fanico de sa\u00fade, hierarquizado com compet\u00eancias fixadas pelo artigo 200 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso universal e igualit\u00e1rio assegura o direito \u00e0 sa\u00fade a todos os indiv\u00edduos e preserva o princ\u00edpio da universalidade, ou seja, a garantia estatal para o acesso \u00e0 sa\u00fade em todos os seus n\u00edveis. Basta ter a condi\u00e7\u00e3o de ser humano para que seja garantido o atendimento preventivo e curativo relativos aos problemas de sa\u00fade, em todos os seus n\u00edveis, o que pode ser considerado como quase ut\u00f3pico. O artigo 7\u00ba, I, da Lei 8080\/90 confere a <em>\u201cuniversalidade de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade em todos os n\u00edveis de assist\u00eancia\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Outro par\u00e2metro assegurado pela Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio da integralidade ou do atendimento integral do art. 198, II da CF88. Por \u00f3bvio, o atendimento integral previsto na Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o significa todo e qualquer tipo de atendimento, mas constitui diretriz que deve orientar as pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que a Constitui\u00e7\u00e3o legitima um sistema p\u00fablico, alicer\u00e7ado em princ\u00edpios sociais \u2013 solidariedade, igualdade, universalidade e integralidade &#8211; e um sistema privado de sa\u00fade com princ\u00edpios que regem a iniciativa privada \u2013 liberdade de a\u00e7\u00e3o e objetivos financeiros \u2013 o que cria dualidade que fratura a Constitui\u00e7\u00e3o, mas, apresenta aspectos salutares e de iniquidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Parcela minorit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de arcar com os custos da sa\u00fade integralmente privada, tendo acesso a servi\u00e7os de excel\u00eancia, tratamentos de ponta, \u00e0 tecnologia mais avan\u00e7ada e a m\u00e9dicos altamente qualificados e de renome internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Parcela da sociedade pouco maior tem acesso por meio de panos de sa\u00fade com acesso a alguns desses servi\u00e7os privados, segundo a modalidade dos contratos firmados com as respectivas empresas. Esse grupo \u00e9 regido pela contratualidade que firma um regime mais delimitado que o grupo em raz\u00e3o das cl\u00e1usulas contratuais e benef\u00edcios cobertos pelo plano de sa\u00fade.&nbsp; Desse grupo pode-se identificar um terceiro grupo constitu\u00eddo por indiv\u00edduos que aderem a planos de sa\u00fade que ofertam servi\u00e7os b\u00e1sicos, mas n\u00e3o d\u00e3o acesso a medicamentos\/tratamentos mais modernos e onerosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um quarto grupo \u00e9 representado pela maior parte da popula\u00e7\u00e3o que tem acesso apenas aos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade. Esse grupo com os pacientes do terceiro grupo \u00e9 aquele que busca os servi\u00e7os p\u00fablicos representados pelo SUS, com filas enormes, postos de sa\u00fade com pequeno poder de resolu\u00e7\u00e3o, falta de especialistas, falta de leitos hospitalares, car\u00eancia de CTI, falta de acesso a m\u00e9dicos com grande expertise em \u00e1reas definidas. Os servi\u00e7os dispon\u00edveis contrastam com os da sa\u00fade privada, acess\u00edveis somente para pacientes do 1\u00ba e 2\u00ba grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade dupla, amparada pela legisla\u00e7\u00e3o pode ser uma das causas da judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, porquanto existe a tentativa de se oferecer aos pacientes que disp\u00f5e apenas do SUS o mesmo padr\u00e3o de qualidade do sistema privado. A maioria das a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da sa\u00fade prov\u00e9m dos usu\u00e1rios do 3\u00ba grupo que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de arcar com tratamentos e\/ou medicamentos n\u00e3o cobertos por seus contratos particulares. A esses litigantes somam-se o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Defensoria P\u00fablica patrocinando as causas dos usu\u00e1rios do quarto grupo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Financiamento da sa\u00fade<\/h4>\n\n\n\n<p>Cada pretens\u00e3o implica em gastos e em sobrecarga de infraestrutura existente. \u00c9 reconhecido que h\u00e1 claro problema no custeio da sa\u00fade p\u00fablica e a judicializa\u00e7\u00e3o agrava o subfinanciamento. Hoje, as ordens judiciais, drenam bilh\u00f5es de reais que deveriam ser investidos no atendimento coletivo. A judicializa\u00e7\u00e3o na perspectiva do direito individual, acaba por colaborar com a m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o desses parcos recursos. O papel do Poder Judici\u00e1rio no desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais \u00e9 limitado. O Poder Judici\u00e1rio \u00e9 o menos legitimado para realizar pol\u00edticas p\u00fablicas. As escolhas no \u00e2mbito da sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. Os crit\u00e9rios de necessidade, efici\u00eancia, alcance, disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria e exclus\u00e3o de outras possibilidades, entre outras vari\u00e1veis, precisam ser levadas em conta no processo decis\u00f3rio. Para que se escolher h\u00e1 que se distinguir entre prioridade, aloca\u00e7\u00e3o de recursos e racionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando h\u00e1 escassez absoluta o problema \u00e9 de racionamento. Na escassez relativa \u00e9 de aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Na quest\u00e3o da sa\u00fade a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. No racionamento, a decis\u00e3o cabe aos m\u00e9dicos, enquanto a aloca\u00e7\u00e3o de recursos as decis\u00f5es s\u00e3o pol\u00edticas ou legais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Aspectos positivos e negativos da judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade (<strong>SCHULZE<\/strong>, <strong>GEBRAN NETO<\/strong> <strong>2015<\/strong>)<\/h4>\n\n\n\n<p>I \u2013 Aspectos negativos<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Desorganiza\u00e7\u00e3o dos SUS \u2013 Decis\u00f5es judiciais que atendem interesses individuais atuam em favor de poucos, interferindo por vezes na ordem da fila de atendimento, nas interna\u00e7\u00f5es, nas cirurgias programadas, ou obrigando o fornecimento de medicamentos, \u00f3rteses, pr\u00f3teses, ou equipamentos que o Estado n\u00e3o tinha se comprometido.<\/li><li>Reflexo nas finan\u00e7as p\u00fablicas \u2013 Decis\u00f5es judiciais t\u00eam implicado no desvio de recursos p\u00fablicos que deveriam ser drenados para as pol\u00edticas coletivas, em favor de poucos.<\/li><li>Escolhas equivocadas de pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 O poder Judici\u00e1rio acaba por realizar escolhas para as quais n\u00e3o est\u00e1 legitimado, deixando de atuar como legislador negativo, passando a agir como legislador positivo ou mesmo como administrador.<\/li><li>Fragiliza\u00e7\u00e3o da isonomia \u2013 aporte de recursos escassos para alguns benefici\u00e1rios em detrimento das pol\u00edticas institu\u00eddas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>II- Aspectos positivos&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Fomento de pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 Alguns programas de pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00f3 foram implementadas por meio da judicializa\u00e7\u00e3o para atender \u00e0s necessidades (ex: Tratamento da HIV).<\/li><li>Revis\u00e3o das pol\u00edticas \u2013 Altera\u00e7\u00e3o da Lei 8080\/90 pela Lei 12.401com os artigos 19-Q e 19-R com as seguintes altera\u00e7\u00f5es:<\/li><li>Revis\u00e3o da lista RENAME passando de 510 para 810 itens (Portaria 533 do MSe portaria n\u00ba 53\/2012 (incorpora\u00e7\u00e3o de medicamentos).<\/li><li>Atualiza\u00e7\u00e3o dos Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas<\/li><li>Cria\u00e7\u00e3o da CONITEC<\/li><li>Fixa\u00e7\u00e3o de prazo para tratamento de c\u00e2ncer \u2013 Edi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 12.732\/2012 que fixou prazo de 60 dias para tratamento de c\u00e2ncer.<\/li><li>Sa\u00fade como pauta pol\u00edtica \u2013 A judicializa\u00e7\u00e3o passou a transformar o direito \u00e0 sa\u00fade, a qualidade do atendimento, as pol\u00edticas existentes, os medicamentos incorporados, o financiamento da sa\u00fade, as tabelas de procedimentos e valores pagos, custos de \u00f3rteses e pr\u00f3teses, a doen\u00e7a mental, e outros temas passaram a fazer parte da pauta pol\u00edtica.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O Poder judici\u00e1rio tem atuado no sentido de realizar escolhas que est\u00e3o fora de sua compet\u00eancia. Compete a ele verificar se as escolhas est\u00e3o em conformidade com a moldura jur\u00eddica, corrigindo eventuais equ\u00edvocos e exigir que as pol\u00edticas p\u00fablicas institu\u00eddas sejam cumpridas de modo, tempo e forma adequados. A distribui\u00e7\u00e3o desordenada de benef\u00edcios, atinge n\u00famero pequeno de benefici\u00e1rios e vulnera aas pol\u00edticas existentes em favor da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Premissas para processos judiciais sobre a presta\u00e7\u00e3o material do direito \u00e0 sa\u00fade<\/h4>\n\n\n\n<p>H\u00e1 direito subjetivo p\u00fablico \u00e0 sa\u00fade no caso de haver pol\u00edtica p\u00fablica que preveja o fornecimento de medicamentos e\/ou tratamentos ao cidad\u00e3o, sendo exig\u00edvel perante o poder p\u00fablico o seu fornecimento. Essa premissa aparece no Enunciado n\u00ba 11 da I Jornada da Sa\u00fade:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cNos casos em que o pedido de a\u00e7\u00e3o judicial seja de medicamento, produto ou procedimento j\u00e1 previsto nas listas oficiais do SUS ou em Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDT), recomenda-se que seja determinada pelo Poder Judici\u00e1rio a inclus\u00e3o do demandante em servi\u00e7o ou programa j\u00e1 existentes no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), para fins de acompanhamento e controle cl\u00ednico\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Desnecess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia para fazer jus \u00e0 presta\u00e7\u00e3o material, esteja ela fixada em pol\u00edtica p\u00fablica ou n\u00e3o, por for\u00e7a do princ\u00edpio da universalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A universalidade n\u00e3o est\u00e1 a excluir a isonomia de atendimento, inclusive no que diz respeito ao acesso. Apara quem tem condi\u00e7\u00f5es de arcar com as despesas, os servi\u00e7os m\u00e9dicos ou presta\u00e7\u00f5esmateriais fora do rol previsto j\u00e1 assegurado legal e administrativamente. O artigo 28 do Decreto n\u00ba 7508\/11 estabelece:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art. 28. O acesso universal e igualit\u00e1rio \u00e0 assist\u00eancia farmac\u00eautica pressup\u00f5e, cumulativamente:<\/em><\/p><p><em>I \u2013 estar o usu\u00e1rio assistido por a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de sa\u00fade do SUS;<\/em><\/p><p><em>II \u2013 ter o medicamento sido prescrito por profissional de sa\u00fade, no exerc\u00edcio regular de suas fun\u00e7\u00f5es no SUS;<\/em><\/p><p><em>III \u2013 estar a prescri\u00e7\u00e3o em conformidade com a RENAME e os Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas ou com a rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica complementar estadual, distrital ou municipal de medicamentos ; e<\/em><\/p><p><em>IV \u2013 ter a dispensa\u00e7\u00e3o ocorrido em unidades indicadas pela dire\u00e7\u00e3o do SUS.<\/em><\/p><p><em>\u00a71\u00ba &#8211; os entes federativos poder\u00e3o ampliar o acesso do usu\u00e1rio \u00e0 assist\u00eancia farmac\u00eautica, desde que quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica o justifiquem<\/em><\/p><p><em>\u00a72\u00ba &#8211; O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade poder\u00e1 estabelecer regras diferenciadas de acesso a medicamentos de car\u00e1ter especializado.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1 veda\u00e7\u00e3o legal de dispensa\u00e7\u00e3o de medicamento n\u00e3o aprovado pela ANVISA, contida na Lei n\u00ba 8080\/90, alterada pela Lei n\u00ba 12.401\/2011, art. 19-T, II e pelos Enunciados 6 e 9 do F\u00f3rum da Sa\u00fade:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art. 19-T. S\u00e3o vedados, em todas as esferas de gest\u00e3o do SUS:<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>[&#8230;] II \u2013 A dispensa\u00e7\u00e3o, o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de medicamento e produto, nacional ou importado, sem registro na Anvisa.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Enunciado n\u00ba 6 \u2013 A determina\u00e7\u00e3o judicial de fornecimento de f\u00e1rmacos deve evitar os medicamentos ainda n\u00e3o registrados na ANVISA, ou em fase experimentl, ressalvadas as exce\u00e7\u00f5es expressamente previstas em lei\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Enunciado n\u00ba 9 \u2013 As a\u00e7\u00f5es que versem sobre medicamentos e tratamentos experimentais devem ovservar as normas emitidas pela Comiss\u00e3o Nacional de \u00c9tica em Pesquisa (CONEP) e Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA), n\u00e3o se podendo impor aos entes federados provimento e custeio de medicamento e tratamento experimentais\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio o pr\u00e9vio requerimento \u00e0 administra\u00e7\u00e3o para que o Poder Judici\u00e1rio forne\u00e7a ou custeie medicamentos ou tratamentos de sa\u00fade. Compete \u00e0 administra\u00e7\u00e3o responder fundamentadamente e em prazo razo\u00e1vel. A I Jornada da Sa\u00fade do CNJ editou o Enunciado n\u00ba 13:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cEnunciado n\u00ba 13 \u2013 Nas a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, que pleiteiam do poder p\u00fablico o fornecimento de medicamentos, produtos ou tratamentos, recomenda-se, sempre que poss\u00edvel,<\/em> <em>a pr\u00e9via oitiva do gestor do Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u00a0 (SUS), com vistas a, inclusive, identificar solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do requerente \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o, compet\u00eancia do ente federado e alternativas terap\u00eauticas\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es que versem sobre pedidos para que o Poder P\u00fablico promova a dispensa\u00e7\u00e3o de medicamentos ou tratamentos, baseada no direito constitucional \u00e0 sa\u00fade devem ser instru\u00eddas com prescri\u00e7\u00e3o de m\u00e9dico em exerc\u00edcio no Sistema \u00danico de Sa\u00fade, ressalvadas as hip\u00f3teses excepcionais, devidamente justificadas, sob risco de indeferimento de liminar ou antecipa\u00e7\u00e3o de tutela.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tratamentos para as diferentes afec\u00e7\u00f5es devem ser realizados, no \u00e2mbito do SUS, segundo as diretrizes fixadas pela pol\u00edtica p\u00fablica, ressalvada a hip\u00f3tese de demonstra\u00e7\u00e3o de sua inadequa\u00e7\u00e3o ou inefic\u00e1cia para o paciente, sendo vedado o tratamento ou medicamento experimental.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Enunciado n\u00ba 14 e 16 da I Jornada da Sa\u00fade do CNJ:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cEnunciado n\u00ba 14 &#8211; N\u00e3o comprovada a inefetividade ou impropriedade dos medicamentos e tratamentos fornecidos pela rede p\u00fablica de sa\u00fade, deve ser indeferido o pedido n\u00e3o constante nas pol\u00edticas p\u00fablicas do Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cEnunciado n\u00ba 16 \u2013 Nas demandas que visam acesso a a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os da sa\u00fade diferenciada daquelas oferecidas pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade, o autor deve apresentar prova da evid\u00eancia cient\u00edfica, inexist\u00eancia, inefetividade ou impropriedade dos procedimentos ou medicamentos, constantes dos protocolos do SUS\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Necess\u00e1rio laudo m\u00e9dico indicando a necessidade do tratamento excepcional, seus efeitos, estudos da Medicina Baseada em Evid\u00eancias (MBE) e vantagens para o paciente, al\u00e9m de comparar com eventuais f\u00e1rmacos fornecidos pelo SUS. Essa premissa ficou clara no Enunciado n\u00ba 18 da I Jornada da Sa\u00fade do CNJ:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;<em>Enunciado n\u00ba 18 \u2013 Sempre que poss\u00edvel, as decis\u00f5es liminares sobre sa\u00fade devem ser precedidas de notas de evid\u00eancia cient\u00edfica emitidas por N\u00facleos de Apoio T\u00e9cnico em Sa\u00fade \u2013 NATs\u201d. <\/em>(Os NATs t\u00eam fundamento na Recomenda\u00e7\u00e3o n\u00ba 31 de 30.03.2010 do CNJ).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Deve ser do conhecimento p\u00fablico a exist\u00eancia de conflito de interesse entre o prescritor e o f\u00e1rmaco prescrito. O conflito de interesse est\u00e1 intimamente ligado com a \u00e9tica e o m\u00e9dico que prescreve o medicamento, tratamento ou OPME deve declarar se existe eventual conflito de interesse.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDTs) e Sa\u00fade Baseada em Evid\u00eancias MBE\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/h4>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o cient\u00edfico da ci\u00eancia m\u00e9dica embora seja essencial para a melhoria da qualidade da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 incorporado de imediato na pr\u00e1tica m\u00e9dica. Os novos medicamentos\/ tratamentos precisam ser aprovados pela ANVISA ou incorporados nas listas de medicamentos do SUS. Por outro lado, a incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e tratamentos depende de infraestrutura e recursos humanos nem sempre dispon\u00edveis a contento no sistema p\u00fablico. Essas circunst\u00e2ncias d\u00e3o origem \u00e0 judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e causam impacto jur\u00eddico, pol\u00edtico e m\u00e9dico estimulando novas pol\u00edticas p\u00fablicas e modifica\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio impulsionou duas t\u00e9cnicas como importantes instrumentos da Administra\u00e7\u00e3o reconhecidas pela Lei 12.401\/2011: 1-) os Protocolos Cl\u00ednicos\u00a0 e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDT) e 2-) a Medicina Baseada em Evid\u00eancias (MBE). Tanto os PCDTs quanto a MBE produzem equil\u00edbrio entre o que est\u00e1 dispon\u00edvel no mercado e o que deve ser incorporado pelo SUS, al\u00e9m de oferecer solu\u00e7\u00f5es para problemas t\u00e9cnicos, jur\u00eddicos e econ\u00f4micos, relativos ao direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem tudo colocado no mercado pela ind\u00fastria traz vantagens sobre o que j\u00e1 est\u00e1 incorporado e h\u00e1 muitos produtos que s\u00e3o disponibilizados no mercado e que deveriam constar das pol\u00edticas p\u00fablicas. Os PCDTs e a MBE podem, portanto, servir como balisa para distinguir o que pode ser devido aos indiv\u00edduos, ainda que n\u00e3o previstos no SUS.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDTs)<\/h4>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es e produtos inundam o mercado, sem comprova\u00e7\u00e3o da efetividade, efic\u00e1cia e seguran\u00e7a. A divulga\u00e7\u00e3o de novos tratamentos atinge os m\u00e9dicos, em grande parte pelos representantes de laborat\u00f3rio, pelas dificuldades de atualiza\u00e7\u00e3o e pelos interesses envolvidos (<strong>ANGELL 2008<\/strong>). A partir de 1999 a Associa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina deliberaram desenvolver Diretrizes M\u00e9dicas baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas para auxiliar a classe m\u00e9dica sobre os melhores cuidados e na tomada de decis\u00f5es, visando o bem-estar dos pacientes. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica encampou a ideia e passou a utilizar PCDTs para orientar a presta\u00e7\u00e3o de sa\u00fade no Brasil. A ado\u00e7\u00e3o de PDCT ultrapassou o seu uso administrativo e hoje est\u00e1 disposto na Lei 12.401\/2011, que alterou a Lei 8080\/90, conhecida como Lei do SUS. Conforme o art. 19-N da Lei 8080\/90 PDCT<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art. 19-N.\u00a0 Para os efeitos do disposto no art. 19-M, s\u00e3o adotadas as seguintes defini\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/em><\/p><p><em>[&#8230;] II &#8211; protocolo cl\u00ednico e diretriz terap\u00eautica: documento que estabelece crit\u00e9rios para o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a ou do agravo \u00e0 sa\u00fade; o tratamento preconizado, com os medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de controle cl\u00ednico; e o acompanhamento e a verifica\u00e7\u00e3o dos resultados terap\u00eauticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O artigo 19-O, por sua vez, estabelece:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art.<\/em> 19-O.<em> Os protocolos cl\u00ednicos e as diretrizes terap\u00eauticas dever\u00e3o estabelecer os medicamentos e os produtos necess\u00e1rios nas diferentes fases evolutivas da doen\u00e7a ou do agravo \u00e0 sa\u00fade de que tratam, bem como aqueles indicados em casos de perda de efic\u00e1cia e de surgimento de intoler\u00e2ncia ou rea\u00e7\u00e3o adversa relevante, provocadas pelo medicamento, produto ou procedimento de primeira escolha\u201d.<\/em> <em>Par\u00e1grafo \u00fanico.\u00a0 Em qualquer caso, os medicamentos ou produtos de que trata o\u00a0caput\u00a0deste artigo ser\u00e3o aqueles avaliados quanto \u00e0 sua efic\u00e1cia, seguran\u00e7a, efetividade e custo-efetividade para as diferentes fases evolutivas da doen\u00e7a ou do agravo \u00e0 sa\u00fade de que trata o protocolo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>(<strong>MIRANDA, 2013<\/strong>) <em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O enunciado n\u00ba 4 da I Jornada de direito \u00e0 sa\u00fade definiu a utiliza\u00e7\u00e3o do PCDT e seu papel no SUS:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cEnunciado n\u00ba 4 &#8211; Os Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDT) s\u00e3o elementos organizadores da presta\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica, e n\u00e3o limitadores. Assim, no caso concret, quando todas as alternativas terap\u00eauticas previstas no respectivo PCDT j\u00e1 tiverem sido esgotadas ou forem invui\u00e1veis npo quadro cl\u00ednico do paciente usu\u00e1rio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), pelo princ\u00edpio do art. 198, III, da CF, pode ser determinado judicialmente o fornecimento pelo SUS, do f\u00e1rmaco n\u00e3o padronizado\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias (CONITEC)<\/h4>\n\n\n\n<p>A Lei 8080\/90 modificada pela Lei 12.401\/2011 disp\u00f5e expressamente no artigo 19-Q, sobre a incorpora\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o, e altera\u00e7\u00e3o, pelo SUS, de novos medicamentos, produtos e procedimentos, por interm\u00e9dio da Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, conhecida como CONITEC.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art. 19-Q.<\/em> <em>A incorpora\u00e7\u00e3o, a exclus\u00e3o ou a altera\u00e7\u00e3o pelo SUS de novos medicamentos, produtos e procedimentos, bem como a constitui\u00e7\u00e3o ou a altera\u00e7\u00e3o de protocolo cl\u00ednico ou de diretriz terap\u00eautica, s\u00e3o atribui\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, assessorado pela Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS.<\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p><p><em>\u00a0\u00a7 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0 A Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS, cuja composi\u00e7\u00e3o e regimento s\u00e3o definidos em regulamento, contar\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o de 1 (um) representante indicado pelo Conselho Nacional de Sa\u00fade e de 1 (um) representante, especialista na \u00e1rea, indicado pelo Conselho Federal de Medicina<\/em><\/p><p><em>\u00a7 2<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0 O relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS levar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o, necessariamente:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p><p><em>I &#8211; as evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a efic\u00e1cia, a acur\u00e1cia, a efetividade e a seguran\u00e7a do medicamento, produto ou procedimento objeto do processo, acatadas pelo \u00f3rg\u00e3o competente para o registro ou a autoriza\u00e7\u00e3o de uso;\u00a0<\/em><\/p><p><em>II &#8211; a avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica comparativa dos benef\u00edcios e dos custos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias j\u00e1 incorporadas, inclusive no que se refere aos atendimentos domiciliar, ambulatorial ou hospitalar, quando cab\u00edve<\/em>l.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A CONITEC tem a miss\u00e3o de investigar evid\u00eancias cient\u00edficas sobre determinados produtos ou procedimentos de modo a emitir opini\u00e3o n\u00e3o vinculante quanto \u00e0 efic\u00e1cia, efetividade, acur\u00e1cia e seguran\u00e7a dos mesmos. Isso significa a incorpora\u00e7\u00e3o da MBE como instrumento importante para orientar as pol\u00edticas p\u00fablicas. Outros pa\u00edses que possuem atendimento universal da sa\u00fade t\u00eam \u00f3rg\u00e3os semelhantes para controle das evid\u00eancias em medicina. Na Inglaterra existe o NICE \u2013 National Institute of Health and Care Excellence -; Na Austr\u00e1lia, a ag\u00eancia governamental PBAC \u2013 Pharmaceutical Benefits Advisory Committee &#8211;&nbsp; analisa a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias; no Canad\u00e1 uma ag\u00eancia independente CADTH (Canadian Agency for Drugs and Techniologies in Health) executa a mesma fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A CONITEC em 2015 j\u00e1 havia realizado 316 avalia\u00e7\u00f5es, sendo 162 internas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e 154 externas, propostas por empresas ou sociedades. Das demandas internas, 95 tiveram parecer para incorpora\u00e7\u00e3o e 45 foram negadas. Das externas, 61 foram devolvidas por n\u00e3o preencherem ao escopo de atendimento \u00e0 sa\u00fade e n\u00e3o cabia \u00e0 CONITEC avaliar. Todas as recomenda\u00e7\u00f5es da CONITEC foram acatadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Decreto n\u00ba 7646\/2011, estabelece procedimento administrativo para incorpora\u00e7\u00e3o de medicamentos \u00e0 rela\u00e7\u00e3o nacional de medicamentos ou estabelecimento de protocolos cl\u00ednicos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art. 15. A incorpora\u00e7\u00e3o, a exclus\u00e3o e a constitui\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o de protocolos cl\u00ednicos e diretrizes terap\u00eauticas ser\u00e3o precedidas de processo administrativo.<\/em><\/p><p><em>\u00a71\u00ba O requerimento de instaura\u00e7\u00e3o do processo administrativo para a incorpora\u00e7\u00e3o e a altera\u00e7\u00e3o pelo SUS de tecnologias em sa\u00fade e a constitui\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o de protocolos cl\u00ednicos e diretrizes terap\u00eauticas dever\u00e1 ser protocolada pelo interessado na Secretaria Executiva da CONITEC, devendo ser acompanhado de:<\/em><\/p><p><em>I \u2013 formul\u00e1rio integralmente preenchido, de acordo com o modelo estabelecido pela CONITEC;<\/em><\/p><p><em>II \u2013 n\u00famero e validade do registro da tecnologia em sa\u00fade na Anvisa;<\/em><\/p><p><em>III \u2013 evid\u00eancia cient\u00edfica que demonstre que a tecnologia pautada \u00e9, no m\u00ednimo, t\u00e3o eficaz e segura quanto aquelas dispon\u00edveis no SUS para determinada indica\u00e7\u00e3o;<\/em><\/p><p><em>IV \u2013 estudo de avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica comparando a tecnologia pautada com as tecnol\u00e7ogias em sa\u00fade disponibilizadas no SUS;<\/em><\/p><p><em>V \u2013 amostras de produtos, se cab\u00edvel, para o atendimento do disposto mo \u00a72\u00ba do art. 19-Q, nos termos do regimento interno; e<\/em><\/p><p><em>VI \u2013 o pre\u00e7o fixado pela CMED, no caso de medicamentos;<\/em><\/p><p><em>\u00a72\u00ba O requerimento de instaura\u00e7\u00e3o do processo administrativo para a exclus\u00e3o pelo SUS de tecnologia em sa\u00fade dever\u00e1 ser acompanhada dos documentos previstos nos incisos I, II, VI do \u00a71\u00ba, al\u00e9m de outros determinados em ato espec\u00edfico da CONITEC.<\/em><\/p><p><em>\u00a73\u00ba A CONITEC poder\u00e1 solicitar informa\u00e7\u00f5es complementares ao requerente, com vistas a subsidiar a an\u00e1lise do pedido.<\/em><\/p><p><em>\u00a74\u00ba No caso de propostas de iniciativa do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ser\u00e3o consideradas as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis e os estudos t\u00e9cnicos j\u00e1 realizados para fins de an\u00e1lise pela CONITEC.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Instru\u00eddo o processo, ser\u00e1 elaborado relat\u00f3rio que levar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o o disposto no art. 18. a-) Evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a efic\u00e1cia, a acur\u00e1cia, a efetividade e a seguran\u00e7a do medicamento, produto ou procedimento objeto do processo, acatadas pelo \u00f3rg\u00e3o competente para o registro ou autoriza\u00e7\u00e3o de uso; b-) avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica comparativa dos benef\u00edcios e dos custos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias j\u00e1 incorporadas, inclusive no que se refere aos atendimentos domiciliar, ambulatorial ou hospitalar, quando cab\u00edvel; e c-) o impacto da incorpora\u00e7\u00e3o da tecnologia no SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio ser\u00e1 submetido \u00e0 consulta p\u00fablica pelo prazo de 20 dias, sendo submetido depois ao exame do plen\u00e1rio da CONITEC. Ap\u00f3s a delibera\u00e7\u00e3o seguir\u00e1 ao Secret\u00e1rio de Cio\u00eancia, Tecnologia e Insumos Estrat\u00e9gicos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para decis\u00e3o, podendo ser realizada nova audi\u00eancia p\u00fablica antes da decis\u00e3o. O prazo de exame destes documentos \u00e9 de 180 dias, sendo admitida prorroga\u00e7\u00e3o por mais 90 dias. Publicada a decis\u00e3o de incorporar tecnologia em sa\u00fade, ou protocolo cl\u00ednico e diretriz terap\u00eautica, as \u00e1reas t\u00e9cnicas ter\u00e3o prazo m\u00e1ximo de cento e oitenta dias para efetivar a oferta ao SUS. Neste contexto a MBE \u00e9 instrumento importante para incorpora\u00e7\u00e3o de tratamentos\/medicamentos nas pol\u00edticas p\u00fablicas e para formula\u00e7\u00e3o dos protocolos cl\u00ednicos, a ser considerada em conjunto com avalia\u00e7\u00e3o do custo\/benef\u00edcio e o impacto da incorpora\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica do SUS.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">N\u00facleos de Apoio T\u00e9cnico (NAT)<\/h3>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas de pesquisa pelos profissionais m\u00e9dicos e do direito nem sempre \u00e9 f\u00e1cil para quem n\u00e3o milita no campo da pesquisa cient\u00edfica, pelas dificuldades de manejo dos dados e de acesso aos <em>sites <\/em>ou pela compreens\u00e3o da l\u00edngua estrangeira, ou ainda para compreens\u00e3o com precis\u00e3o dos termos da terminologia da t\u00e9cnica m\u00e9dica por vezes usada. Talvez por isso, o CNJ recomendou a todos os tribunais do Brasil que institu\u00edssem nos seus respectivos estados. NATs, conforme Recomenda\u00e7\u00e3o n\u00ba 31 que fixou prazo at\u00e9 dezembro de 2010 para que os tribunais de Justi\u00e7a e Regionais Federais celebrassem conv\u00eanios com o fim de <em>\u201cdisponibilizar apoio t\u00e9cnico composto por m\u00e9dicos e farmac\u00eauticos para auxiliar os magistrados na forma\u00e7\u00e3o de um ju\u00edzo de valor quanto \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es cl\u00ednicas apresentadas pelas partes das a\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 sa\u00fade, observadas as peculiaridades regionais\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na I Jornada do F\u00f3rum Nacional de Sa\u00fade, promovida pelo CNJ, foram aprovados os enunciados 18 e 31 que estabelecem a consulta ao NAT&nbsp; como ferramenta auxiliar e pr\u00e9via \u00e0 decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Enunciado n\u00ba 31 \u2013<em> \u201cRecomenda-se ao Juiz a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es do N\u00facleo de Apoio T\u00e9cnico ou C\u00e2mara T\u00e9cnica e, na sua aus\u00eancia, de outros servi\u00e7os de atendimento especializado, tais como institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es profissionais etc\u201d. <\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se bemcolocada a moldura f\u00e1tica pelos operadores do direito, fica mais f\u00e1cil encaminhar aos NATs a contextualiza\u00e7\u00e3o do problema e a resposta dever\u00e1 ser r\u00e1pida, porque n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que que se realizem per\u00edcias, mas apenas um adequado parecer sobre o caso concreto. Por sua vez, o profissional do NAT que assinar o parecer, ter\u00e1 seu trabalho facilitado pelos estudos que a ferramenta da MBE possibilita sejam objetivados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Judicializa\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade Suplementar<\/h2>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;<\/em>Milhares de a\u00e7\u00f5es demandam a concretiza\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas relacionadas \u00e0 sa\u00fade e constituem exemplo de ativismo judicial somado \u00e0 discricionariedade. Muitas vezes pedidos s\u00e3o julgados procedentes com base na dignidade da pessoa humana ou no direito ao acesso universal \u00e0 sa\u00fade. Isso acontece mesmo quando se trata de sa\u00fade privada que tem tratamento na Constitui\u00e7\u00e3o Federal diferente da sa\u00fade p\u00fablica, possui legisla\u00e7\u00e3o e normas espec\u00edficas de Ag\u00eancia Reguladora e contrato firmado entre as partes nos termos regulat\u00f3rios vigentes. Esse tema \u00e9 abordado por Streck:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201c&#8230;Ainda hoje presenciamos defesas vibrantes de ativismos judiciais para implementar e concretizar os direitos fundamentais, tudo isso sempre retornando ao mesmo ponto: a ideia de que, no momento da decis\u00e3o o juiz tem um espa\u00e7o discricion\u00e1rio no qual pode moldar sua vontade <\/em>(Streck EL. Verdade e consenso. 4\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva 2012; p. 38).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A inexist\u00eancia de m\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o que possa dar garantia \u00e0 corre\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o judicial, n\u00e3o autoriza o int\u00e9rprete a escolher o sentido que mais lhe convier o que seria abrir caminh\u00e3o para a \u00e0 discricionariedade e ou ao decisionismo t\u00edpico do modelo positivista de Kelsen. Nesse sentido a discricionariedade tem como consequ\u00eancia a arbitrariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da sa\u00fade suplementar ocorrem muitas discuss\u00f5es sobre direitos de benefici\u00e1rios de planos de sa\u00fade e da responsabilidade das operadoras que prestam o servi\u00e7o de assist\u00eancia privada \u00e0 sa\u00fade. As decis\u00f5es judiciais apresentam grande diversidade sobre um mesmo assunto, causando instabilidade e inseguran\u00e7a jur\u00eddica, porque essas decis\u00f5es muitas vezes n\u00e3o t\u00eam fundamenta\u00e7\u00e3o convincente, trazendo consigo um tipo de discricionariedade judicial que pode <em>decido conforme minha consci\u00eancia <\/em>(Streck LL. O que \u00e9 isto \u2013 decido conforme minha consci\u00eancia. 3\u00aa ed. Porto Alegre: Livraria do advogado 2012)<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei 9.656\/1998 (Lei dos planos de Sa\u00fade) e a Lei 9.961\/2000(Lei de cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar) dividiram a sa\u00fade suplementar em dois blocos, passando a existir os contratos regulamentados (planos novos) e contratos n\u00e3o regulamentados (planos velhos). O STF, no julgamento da ADI n\u00ba 1.931 de 2004, confirmou essa divis\u00e3o. Em decis\u00e3o plen\u00e1ria, o STF considerou inconstitucionais dispositivos da Lei 9.656\/98 que regulamentavam contratos firmados anteriormente \u00e0 sua vig\u00eancia em viola\u00e7\u00e3o ao direito adquirido e ao ato jur\u00eddico perfeito, garantidos pelo art. 5\u00ba, XXXVI, da CF88. A partir de ent\u00e3o aumentaram significantemente o n\u00famero de demandas judiciais em quest\u00f5es referentes aos planos de sa\u00fade. Ressalte-se que h\u00e1 decis\u00f5es judiciais que aplicam a nova regulamenta\u00e7\u00e3o aos contratos anteriores, para que sejam a eles incorporadas as novas coberturas dos planos de sa\u00fade, enquanto outras decis\u00f5es afastam a incid\u00eancia da nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os temas mais frequentes dessas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o: reajuste dos pre\u00e7os das contrapresta\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias; a negativa, nos planos antigos, de coberturas previstas na nova lei e no rol de procedimentos e eventos em sa\u00fade, elaborado pela ANS, que constitui a refer\u00eancia b\u00e1sica para cobertura assistencial m\u00ednima; reajuste da contrapresta\u00e7\u00e3o por mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria do benefici\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O reajuste da mensalidade do idoso, confronta o art.15, \u00a73\u00ba do Estatuto do idoso, que veda sua discrimina\u00e7\u00e3o nos planos de sa\u00fade pela cobran\u00e7a de valores diferenciados por causa da idade. A discuss\u00e3o \u00e9 se \u00e9 aplic\u00e1vel o Estatuto do idoso aos contratos de plano de sa\u00fade firmados anteriormente \u00e0 sua vig\u00eancia e, em decorr\u00eancia, a viola\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba, XXXVI da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (ato jur\u00eddico perfeito e direito adquirido).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade por servi\u00e7o p\u00fablico e privado<\/h4>\n\n\n\n<p>O servi\u00e7o de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade no Brasil pode ser p\u00fablico \u2013 de acesso universal e gratuito \u2013 e privado, de car\u00e1ter supletivo. A Lei 8.142\/90 trata da participa\u00e7\u00e3o da comunidade na gest\u00e3o do SUS e sobre as transfer\u00eancias intergovernamentais de recursos financeiros na \u00e1rea da sa\u00fade. Esse dever estatal n\u00e3o afasta o exerc\u00edcio da sa\u00fade p\u00fablica por terceiros, que estar\u00e3o sob fiscaliza\u00e7\u00e3o do Estado (CF, art197). A Lei 8080\/90, estabelece no art. 4, \u00a7 2\u00ba que a iniciativa privada poder\u00e1 participar do SUS em car\u00e1ter complementar. Al\u00e9m desses dispositivos o art. 199 da CF diz que a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade \u00e9 livre \u00e0 iniciativa privada. Cumpre relembrar que a livre iniciativa \u00e9 um dos fundamentos da Rep\u00fablica, e est\u00e1 prevista no art. 1\u00ba, IV, da CF, ao lado dos valores sociais do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os aspectos disciplinados pela Lei 9656\/98 s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o de funcionamento e de encerramento das atividades da operadora pela Ag\u00eancia Reguladora.<\/li><li>Uniformiza\u00e7\u00e3o dos tipos de planos e caracter\u00edsticas dos produtos a serem disponibilizados aos consumidores, que tamb\u00e9m ficam sujeitos \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da Ag\u00eancia para comercializa\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o e cancelamento.<\/li><li>Exigibilidade da garantia da manuten\u00e7\u00e3o da estabilidade administrativa e financeira da operadora, de modo a n\u00e3o prejudicar a continuidade do atendimento assistencial aos consumidorescontratantes.<\/li><li>Normatiza\u00e7\u00e3o da amplitude das&nbsp; coberturas m\u00ednimas a serem observadas pelas operadoras.<\/li><li>Controle de pre\u00e7os e reajustes.<\/li><li>Defini\u00e7\u00e3o dos prazos de car\u00eancia e de cobertura parcial tempor\u00e1ria nos casos de doen\u00e7as e les\u00f5es pr\u00e9-existentes.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A Lei 9.656\/98 traz disposi\u00e7\u00f5es gerais para a regulamenta\u00e7\u00e3o da sa\u00fade suplementar, deixando as quest\u00f5es espec\u00edficas e de conte\u00fado t\u00e9cnico para serem normatizados pela ANS. No art. 35-A, inclu\u00eddo pela MP 2.177-44 de 24.08.2001, cria o Conselho de Sa\u00fade Suplementar (CONSU).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9656.htm#art35a\"><em>Art.\u00a035-A.<\/em><\/a><em>\u00a0\u00a0Fica criado o Conselho de Sa\u00fade Suplementar\u00a0&#8211;\u00a0CONSU, \u00f3rg\u00e3o colegiado integrante da estrutura regimental do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, com compet\u00eancia para:\u00a0<\/em><\/p><p><em>I\u00a0&#8211;\u00a0estabelecer e supervisionar a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e diretrizes gerais do setor de sa\u00fade suplementar;<\/em><\/p><p><em>II\u00a0&#8211;\u00a0aprovar o contrato de gest\u00e3o da ANS;<\/em><\/p><p><em>III\u00a0&#8211;\u00a0supervisionar e acompanhar as a\u00e7\u00f5es e o funcionamento da ANS;<\/em><\/p><p><em>IV\u00a0&#8211;\u00a0fixar diretrizes gerais para implementa\u00e7\u00e3o no setor de sa\u00fade suplementar sobre:<\/em><\/p><p><em>a)\u00a0aspectos econ\u00f4mico-financeiros;<\/em><\/p><p><em>b)\u00a0normas de contabilidade, atuariais e estat\u00edsticas;<\/em><\/p><p><em>c)\u00a0par\u00e2metros quanto ao capital e ao patrim\u00f4nio l\u00edquido m\u00ednimos, bem assim quanto \u00e0s formas de sua subscri\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o quando se tratar de sociedade an\u00f4nima;<\/em><\/p><p><em>d)\u00a0crit\u00e9rios de constitui\u00e7\u00e3o de garantias de manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro, consistentes em bens, m\u00f3veis ou im\u00f3veis, ou fundos especiais ou seguros garantidores;<\/em><\/p><p><em>e)\u00a0cria\u00e7\u00e3o de fundo, contrata\u00e7\u00e3o de seguro garantidor ou outros instrumentos que julgar adequados, com o objetivo de proteger o consumidor de planos privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade em caso de insolv\u00eancia de empresas operadoras;<\/em><\/p><p><em>V\u00a0&#8211;\u00a0deliberar sobre a cria\u00e7\u00e3o de c\u00e2maras t\u00e9cnicas, de car\u00e1ter consultivo, de forma a subsidiar suas decis\u00f5es.<\/em><\/p><p><em>Par\u00e1grafo \u00fanico.\u00a0\u00a0A ANS fixar\u00e1 as normas sobre as mat\u00e9rias previstas no inciso IV deste artigo, devendo adequ\u00e1-las, se necess\u00e1rio, quando houver diretrizes gerais estabelecidas pelo CONSU.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A ANS foi criada pela Lei 9961\/2000. Portanto, durante aproximadamente dois anos a regulamenta\u00e7\u00e3o do setor ficou a cargo do CONSU, antes de passar a ser regulado pela ANS.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 2\u00ba, da Lei n\u00ba 10.185\/2001estabeleceu que se enquadra como plano privado de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade o seguro sa\u00fade e, como operadora de plano de sa\u00fade, a seguradora especializada em sa\u00fade.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Controle de pre\u00e7os e reajustes.<\/h3>\n\n\n\n<p>O STF entende que que os contratos celebrados anteriormente \u00e0 Lei 9656\/98 (planos n\u00e3o regulamentados) n\u00e3o s\u00e3o por ela atingidos. Nesses contratos individuais ou coletivos, os reajustes s\u00e3o aplicados de acordo com as previs\u00f5es contratuais, se essas estiverem de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o vigente \u00e0 \u00e9poca, geralmente o C\u00f3digo Civil e o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.&nbsp; Nos planos de sa\u00fade com contratos firmados a partir de janeiro de 1999 (planos regulamentados), al\u00e9m do CC e do CDC, os reajustes devem ser feitos de acordo com a Lei 9656\/98 e das Resolu\u00e7\u00f5es e Instru\u00e7\u00f5es Normativas da ANS.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos planos regulamentados diz a Lei 9656\/98 \u201c<em>devem constar dispositivos que indiquem com clareza os crit\u00e9rios de reajuste e revis\u00e3o das contrapresta\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias\u201d. <\/em>Al\u00e9m disso, a Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 171, de 29.04.2008 estabelece em seu artigo 8\u00ba, para planos individuais:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art. 8\u00ba O \u00edndice de reajuste m\u00e1ximo a ser autorizado pela ANS para as contrapresta\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias dos planos tratados no artigo 2\u00ba, ser\u00e1 publicado no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o e na p\u00e1gina da ANS na internet, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada da ANS.<\/em><\/p><p><em>Par\u00e1grafo \u00fanico. Os valores relativos \u00e0s franquias ou co-participa\u00e7\u00f5es n\u00e3o poder\u00e3o sofrer reajuste em percentual superior ao autorizado pela ANS para a contrapresta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos planos coletivos os reajustes s\u00e3o livremente definidos pelas partes, bastando que a operadora comunique posteriormente \u00e0 ANS (RN171, art. 13).<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 15 da Lei 9656\/98 disp\u00f5e sobre o reajuste por mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Art.\u00a015.\u00a0\u00a0A varia\u00e7\u00e3o das contrapresta\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias estabelecidas nos contratos de produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0do art. 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0desta Lei, em raz\u00e3o da idade do consumidor, somente poder\u00e1 ocorrer caso estejam previstas no contrato inicial as faixas et\u00e1rias e os percentuais de reajustes incidentes em cada uma delas, conforme normas expedidas pela ANS, ressalvado o disposto no art. 35-E<\/em>.\u00a0\u00a0<\/p><p><em>Par\u00e1grafo\u00a0\u00fanico.\u00a0\u00a0\u00c9 vedada a varia\u00e7\u00e3o a que alude o\u00a0<strong>caput<\/strong>\u00a0para consumidores com mais de sessenta anos de idade, que participarem dos produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0do art. 1<u><sup>o<\/sup><\/u>, ou sucessores, h\u00e1 mais de dez anos.\u00a0\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/MPV\/2177-44.htm#art1\"><em>(Reda\u00e7\u00e3o dada pela Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 2.177-44, de 2001)<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O Estatuto do Idoso estabelece em seu artigo 15, \u00a73\u00ba:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong><em>Art. 15.<\/em><\/strong><em>\u00a0\u00c9 assegurada a aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0 sa\u00fade do idoso, por interm\u00e9dio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade &#8211; SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualit\u00e1rio, em conjunto articulado e cont\u00ednuo das a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os, para a preven\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, incluindo a aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s doen\u00e7as que afetam preferencialmente os idosos.<\/em><\/p><p><em>[&#8230;] \u00a7 3o\u00a0\u00c9 vedada a discrimina\u00e7\u00e3o do idoso nos planos de sa\u00fade pela cobran\u00e7a de valores diferenciados em raz\u00e3o da idade.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim, os reajustes por mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria superior aos 60 anos, previstos na Resolu\u00e7\u00e3o CONSU n\u00ba 6 passaram a ser considerados ilegais pelo Estatuto do Idoso. O art. 1\u00ba da resolu\u00e7\u00e3o normativa n\u00ba 63\/03 da ANS para reajustes por mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida para contratos firmados a partir de 01.01.2004. Entretanto, esse n\u00e3o tem sido o entendimento do STJ que tem se manifestado pela aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei 10.741\/03.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cobertura de procedimentos de planos antigos<\/h3>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o que frequentemente se coloca para discuss\u00e3o \u00e9: Com o advento da Lei 9656\/98 a nova regulamenta\u00e7\u00e3o da sa\u00fade suplementar, no concernente \u00e0s coberturas m\u00ednimas estabelecidas pela ANS, atinge os planos antigos ou \u00e9 v\u00e1lida somente para os planos novos?\u00a0 A Lei 10.850\/2004 passou a regular essa mat\u00e9ria:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u00a0Art. 1\u00ba\u00a0Compete \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar -ANS, na defesa do interesse p\u00fablico no setor de sa\u00fade suplementar, a defini\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para institui\u00e7\u00e3o de programas especiais de incentivo \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o de contratos de planos privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade firmados at\u00e9 2 de janeiro de 1999, com o objetivo de facilitar o acesso dos consumidores vinculados a esses contratos a garantias e direitos definidos na Lei n\u00ba 9.656, de 3 de junho de 1998.<\/em><\/p><p><em>\u00a0Art. 2\u00ba\u00a0As a\u00e7\u00f5es de incentivo de que trata esta Lei ser\u00e3o definidas por normas espec\u00edficas da ANS, considerando as seguintes diretrizes gerais:<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 I &#8211; revis\u00e3o de contratos, procedendo-se \u00e0s devidas altera\u00e7\u00f5es de cl\u00e1usulas contratuais em vigor, por meio de termos aditivos;<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 II &#8211; viabiliza\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o contratual estabelecida para outro plano da mesma operadora; e<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 III &#8211; defini\u00e7\u00e3o de linhas gerais para execu\u00e7\u00e3o de planos especiais de adapta\u00e7\u00e3o, de implementa\u00e7\u00e3o facultativa ou obrigat\u00f3ria, determinando forma, condi\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias espec\u00edficas a serem observadas para car\u00eancias, reajustes, varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o por faixa et\u00e1ria, cobertura obrigat\u00f3ria, doen\u00e7as e les\u00f5es pr\u00e9-existentes, e outras condi\u00e7\u00f5es contratuais previstas na Lei n\u00ba 9.656, de 1998, bem como as rotinas de apresenta\u00e7\u00e3o desses planos especiais, e as varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o por \u00edndice de ades\u00e3o e outras vari\u00e1veis que poder\u00e3o estar contidas nas propostas oferecidas aos usu\u00e1rios.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao definir regras para incentivar a adapta\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o e planos antigos, o Legislativo e o Executivo reconhecem que a nova regulamenta\u00e7\u00e3o somente se aplica aos contratos firmados ap\u00f3s a vig\u00eancia da Lei 9656\/98. Aqui, novamente, a quest\u00e3o apresenta diverg\u00eancias, especialmente nos tribunais regionais levando os casos para o STJ e STF. O STJ em pelo menos dois ac\u00f3rd\u00e3os decidiu pela n\u00e3o retroatividade da Lei 9.656\/98 aos planos de sa\u00fade cujos contratos foram firmados anteriormente \u00e0 sua vig\u00eancia. N\u00e3o obstante essas decis\u00f5es, o STJ manifestou entendimento no sentido de que determinadas exclus\u00f5es de cobertura s\u00e3o violadoras do CDC e, portanto, ainda que n\u00e3o se aplique a lei dos planos de sa\u00fade, o benefici\u00e1rio teria direito ao procedimento ou material pleiteado, mesmo que o plano de sa\u00fade tenha sido contratado antes da vig\u00eancia do CDC, considerando que o contrato de plano de sa\u00fade tem natureza de trato sucessivo e, por isso, deve ser aplicada a legisla\u00e7\u00e3o consumerista vigente sem que se possa falar em retroatividade da lei (REsp 735168). Essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente com aquela adotada para reajuste por mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria do idoso para contratos celebrados antes da Lei 10.741\/2003, que vedou aumento discriminat\u00f3rio dos planos de sa\u00fade do idoso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, detecta-se incoer\u00eancia nas decis\u00f5es do STJ, decretando irretroatividade da lei nos casos de cobertura de planos de sa\u00fade celebrados antes da Lei 9.656\/98 e estabelecendo a retroatividade da Lei 10.741\/2003 \u2013 reajuste por mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria do idoso \u2013 por considerar que esta \u00e9 norma de ordem p\u00fablica enquanto diante da Lei dos Planos de Sa\u00fade, a retroatividade violaria o ato jur\u00eddico perfeito e o direito adquirido e n\u00e3o se aplicaria ao mesmo contrato. A quest\u00e3o que se levanta \u00e9: a quem caber\u00e1 dizer quando se est\u00e1 diante de uma ordem p\u00fablica ou privada?<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o: &nbsp;a concep\u00e7\u00e3o do direito como integralidade mostra-se como hip\u00f3tese vi\u00e1vel e constitucionalmente adequada para superar a problem\u00e1tica da discricionariedade judicial. O que se constata nessas breves notas \u00e9 que a despeito de existirem normas e orienta\u00e7\u00f5es robustas, tanto pelos v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os governamentais como pelos NATs do CNJ, muitos magistrados deixam de utilizar essas normas em suas decis\u00f5es o que pode causar inseguran\u00e7a jur\u00eddica das partes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n\n\n\n<p>NETTO, Lu\u00edsa Cristina Pinto. O <strong>princ\u00edpio da proibi\u00e7\u00e3o do retrocesso social<\/strong>. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>ALEXY, Robert. <strong>Teoria dos direitos fundamentais<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Malheiros, 2008. 275-285. In: SCHULZE CJ, GEBRAN NETO JP. <strong>Direito \u00e0 sa\u00fade.<\/strong> An\u00e1lise \u00e0 luz da judicializa\u00e7\u00e3o. Porto Alegre, Verbo 2015; p.37-39).<\/p>\n\n\n\n<p>GANDINI. Jo\u00e3o Agnaldo Donizeti; BARIONE. Samantha Ferreira; SOUZA. Andr\u00e9<\/p>\n\n\n\n<p>Evangelista de. A efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos sociais \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 moradia por meio da atividade conciliadora do Poder Judici\u00e1rio. <em>In: <\/em>SANTOS, Lenir (org.). <strong>Direito da Sa\u00fade no Brasil<\/strong>. Campinas: Saberes Editora, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>CASTRO, Paulo Rabello de. <strong>O mito do governo gr\u00e1tis<\/strong>: o mal das pol\u00edticas econ\u00f4micas ilus\u00f3rias e as li\u00e7\u00f5es de 13 pa\u00edses para o Brasil mudar. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es de Janeiro, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>CL\u00c9VE, Clemerson Merlin. <strong>Atividade legislativa do poder executivo<\/strong>. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHULZE, Cl\u00eanio Jair; GEBRAN NETO, Jo\u00e3o Pedro. <strong>Direito \u00e0 sa\u00fade<\/strong>: an\u00e1lise \u00e0 luz da judicializa\u00e7\u00e3o. Porto Alegre: Verbo, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>ANGELL, M\u00e1rcia. <strong>A verdade sobre os laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos<\/strong>: como somos enganados e o que podemos fazer a respeito. Rio de Janeiro: Record, 2008. MIRANDA, Ciro Carvalho. <strong>SUS<\/strong>: medicamentos, protocolos cl\u00ednicos e o Poder Judici\u00e1rio: ilegitimidade e inefici\u00eancia. Bras\u00edlia, DF: Kiron, 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado Constitucional est\u00e1 assentado no dever de progresso e na proibi\u00e7\u00e3o do retrocesso. 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