{"id":24718,"date":"2026-11-08T08:53:09","date_gmt":"2026-11-08T11:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/?p=24718"},"modified":"2026-11-08T08:53:11","modified_gmt":"2026-11-08T11:53:11","slug":"da-lei-ao-regulamento-o-preambulo-como-elo-da-legalidade-sancionadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/2026\/11\/08\/da-lei-ao-regulamento-o-preambulo-como-elo-da-legalidade-sancionadora\/","title":{"rendered":"Da lei ao regulamento: o pre\u00e2mbulo como elo da legalidade sancionadora"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center;font-style: italic;line-height: 1.5;margin: 0 0 1.5em 0\">Normas penais em branco, justifica\u00e7\u00e3o do complemento e limites do poder normativo sancionador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Quando uma portaria ou resolu\u00e7\u00e3o participa da defini\u00e7\u00e3o de condutas sujeitas \u00e0 puni\u00e7\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o de sua base legal n\u00e3o pode ser tratada como detalhe de apresenta\u00e7\u00e3o. O destinat\u00e1rio precisa saber qual norma est\u00e1 sendo complementada e qual dispositivo autoriza a autoridade a editar aquela disciplina. S\u00e3o duas quest\u00f5es distintas: uma diz respeito ao conte\u00fado que o ato infralegal integra; a outra, ao poder jur\u00eddico de produzi-lo. O pre\u00e2mbulo deve tornar essas rela\u00e7\u00f5es identific\u00e1veis, sobretudo quando o regulamento se projeta sobre o exerc\u00edcio do poder sancionador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O problema n\u00e3o come\u00e7a no momento da aplica\u00e7\u00e3o da multa, da suspens\u00e3o ou de outra san\u00e7\u00e3o. Antes de investigar o fato e de decidir sobre a responsabilidade, \u00e9 necess\u00e1rio verificar se a proibi\u00e7\u00e3o invocada foi institu\u00edda por autoridade competente, mediante instrumento adequado e dentro dos limites permitidos pelo ordenamento. A exist\u00eancia de um documento denominado resolu\u00e7\u00e3o ou portaria n\u00e3o responde a essas perguntas. Em mat\u00e9ria punitiva, a forma administrativa do instrumento n\u00e3o permite que a defini\u00e7\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o se desprenda da lei que autoriza e delimita a atua\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Na Teoria Geral da Defesa, ao tratar do princ\u00edpio da legalidade, sustentamos que \u201c<em>O princ\u00edpio da legalidade \u00e9 garantia estrutural de qualquer sistema de exerc\u00edcio leg\u00edtimo do poder sancionador<\/em>\u201d. A obra explicita a consequ\u00eancia desse fundamento: \u201c<em>Exigem-se anterioridade, base normativa reconhec\u00edvel e delimita\u00e7\u00e3o suficiente do comportamento censurado e da consequ\u00eancia sancionat\u00f3ria<\/em>\u201d.[1] A legalidade, nessa perspectiva, n\u00e3o funciona apenas como regra de organiza\u00e7\u00e3o administrativa. Ela protege a pessoa contra uma puni\u00e7\u00e3o cuja origem, hip\u00f3tese de incid\u00eancia ou consequ\u00eancia n\u00e3o possam ser previamente reconhecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">\u00c9 por essa raz\u00e3o que a rela\u00e7\u00e3o entre Leg\u00edstica e poder punitivo merece ser aprofundada. A t\u00e9cnica de elabora\u00e7\u00e3o do ato deve permitir conhecer quem est\u00e1 autorizado a disciplinar a mat\u00e9ria, qual \u00e9 a habilita\u00e7\u00e3o jur\u00eddica invocada e como o comando editado se conecta ao regime sancionador. N\u00e3o se trata de pressupor identidade absoluta entre todos os regimes punitivos, mas de reconhecer que a utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes esp\u00e9cies normativas n\u00e3o elimina o dever de justificar juridicamente a compet\u00eancia exercida e a obriga\u00e7\u00e3o cujo descumprimento pode levar \u00e0 san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">A exig\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o da base legal est\u00e1 expressa no art. 6\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 95\/1998: \u201c<em>O pre\u00e2mbulo indicar\u00e1 o \u00f3rg\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o competente para a pr\u00e1tica do ato e sua base legal<\/em>\u201d.[2] Como defendemos no artigo \u201c<em>A natureza da lei complementar 95\/98<\/em>\u201d, essa lei possui natureza nacional, alcan\u00e7ando a produ\u00e7\u00e3o normativa dos diferentes entes federativos, posi\u00e7\u00e3o interpretativa que naquele trabalho \u00e9 desenvolvida em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o restritiva de seu alcance.[3] A identifica\u00e7\u00e3o da autoridade e de sua base, portanto, n\u00e3o deve ser reduzida a conven\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica utilizada por reparti\u00e7\u00f5es federais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">No Manual de Leg\u00edstica: teoria e pr\u00e1tica, nos coment\u00e1rios ao art. 6\u00ba, explicamos que o pre\u00e2mbulo apresenta o \u00f3rg\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o competente e o fundamento legal que embasa o ato.[4] O exame da compet\u00eancia deve anteceder a reda\u00e7\u00e3o: primeiro se identifica a norma que habilita a atua\u00e7\u00e3o; depois se exterioriza essa habilita\u00e7\u00e3o no instrumento produzido. A refer\u00eancia preambular n\u00e3o pode ser escolhida apenas porque determinado diploma trata genericamente do mesmo assunto. Ela precisa explicar a compet\u00eancia e a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica efetivamente exercidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">No \u00e2mbito federal, o Decreto n\u00ba 12.002\/2024 exige a indica\u00e7\u00e3o do fundamento de validade no pre\u00e2mbulo das medidas provis\u00f3rias, dos decretos e dos atos inferiores a decreto. Seu art. 4\u00ba, \u00a7 2\u00ba, vincula os decretos regulamentares \u00e0 lei ou medida provis\u00f3ria regulamentada.[5] Conv\u00e9m, assim, distinguir a compet\u00eancia para editar o ato e a disciplina superior que ser\u00e1 desenvolvida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Essa distin\u00e7\u00e3o conduz \u00e0 primeira vertente do problema: a norma penal em branco. Na formula\u00e7\u00e3o usual, trata-se de disposi\u00e7\u00e3o incriminadora cuja san\u00e7\u00e3o est\u00e1 definida, mas cujo preceito de conduta depende de integra\u00e7\u00e3o por outra norma. A remiss\u00e3o integra a pr\u00f3pria arquitetura da proibi\u00e7\u00e3o: para conhecer integralmente o comportamento pun\u00edvel, \u00e9 necess\u00e1rio conjugar o texto penal com o complemento. Antonio Martelozzo, ao examinar essa t\u00e9cnica e sua distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos elementos normativos do tipo, apresenta a classifica\u00e7\u00e3o entre normas em sentido amplo e em sentido estrito. Nas primeiras, a complementa\u00e7\u00e3o ocorre no plano legislativo; nas segundas, que concentram a dificuldade aqui discutida, prov\u00e9m de fonte diversa, como um ato administrativo.[6]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">A terminologia homog\u00eanea e heterog\u00eanea procura expressar essa diferen\u00e7a de fontes. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio distinguir a remiss\u00e3o normativa da simples necessidade de interpreta\u00e7\u00e3o: compreender uma express\u00e3o valorativa do tipo n\u00e3o equivale, necessariamente, a buscar em outra norma a disciplina que o integra. Essas diferen\u00e7as, discutidas por Martelozzo, impedem que toda dificuldade interpretativa seja apresentada como autoriza\u00e7\u00e3o para regulamentar.[6] Para o problema do pre\u00e2mbulo, interessa especialmente a complementa\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea: a proibi\u00e7\u00e3o penal passa a depender de uma atua\u00e7\u00e3o administrativa cuja compet\u00eancia, conte\u00fado e limites precisam ser demonstrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O ponto sens\u00edvel est\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o do poder de definir o proibido. Se uma decis\u00e3o administrativa passa a interferir no alcance de uma incrimina\u00e7\u00e3o, a discuss\u00e3o deixa de ser apenas sobre efici\u00eancia regulat\u00f3ria. Ela alcan\u00e7a a reserva de lei, a separa\u00e7\u00e3o de poderes e as condi\u00e7\u00f5es em que uma pessoa pode ser submetida \u00e0 pena. Chamar o complemento de t\u00e9cnico n\u00e3o elimina essa repercuss\u00e3o. Uma classifica\u00e7\u00e3o pode ser t\u00e9cnica quanto ao m\u00e9todo de elabora\u00e7\u00e3o e, simultaneamente, decisiva para delimitar a incid\u00eancia de um tipo penal. Por isso, a qualidade cient\u00edfica da escolha e sua autoriza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica devem ser examinadas separadamente: nenhuma substitui a outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">A doutrina n\u00e3o oferece uma aceita\u00e7\u00e3o uniforme dessa t\u00e9cnica. Luiza Fontoura da Cunha, em estudo de orienta\u00e7\u00e3o garantista, sustenta a inconstitucionalidade das normas penais em branco heterog\u00eaneas, por entender que a complementa\u00e7\u00e3o infralegal permite alterar o conte\u00fado da criminaliza\u00e7\u00e3o sem o procedimento legislativo pr\u00f3prio. Seu argumento enfrenta diretamente a justificativa da agilidade: a conveni\u00eancia de atualizar a disciplina n\u00e3o basta para legitimar a transfer\u00eancia de decis\u00f5es que afetam a liberdade.[7] Mesmo para quem n\u00e3o adota essa conclus\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o, a obje\u00e7\u00e3o permanece incontorn\u00e1vel. A necessidade pr\u00e1tica de regulamentar deve ser confrontada com os limites constitucionais de quem regulamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Uma perspectiva distinta \u00e9 desenvolvida por Rodrigo Jos\u00e9 dos Santos Amaral. Em vez de aceitar ou recusar indistintamente as t\u00e9cnicas de reenvio, o autor prop\u00f5e examinar a fun\u00e7\u00e3o desempenhada pela remiss\u00e3o. Seu teste do risco permitido distingue a complementa\u00e7\u00e3o que restringe a incid\u00eancia de um injusto j\u00e1 delineado daquela que transfere para fora da lei a constitui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio desvalor da conduta. Adverte, ainda, que a aprova\u00e7\u00e3o da estrutura do tipo nesse exame n\u00e3o dispensa avaliar a determina\u00e7\u00e3o do conte\u00fado da norma remetida.[8] Essa contribui\u00e7\u00e3o permite formular duas perguntas sucessivas: <strong>a lei descreveu suficientemente o injusto que pretende punir? O complemento permaneceu dentro do espa\u00e7o que pode legitimamente preencher?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O exame n\u00e3o termina na classifica\u00e7\u00e3o da norma. F\u00e1bio Andr\u00e9 Guaragni, Irene Maria Portela e Andr\u00e9 Eduardo Deztel, ao estudarem o art. 268 do C\u00f3digo Penal, afirmam que \u201c<em>a complementa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma parte essencial do tipo<\/em>\u201d. Relacionam essa integra\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo de imputa\u00e7\u00e3o objetiva, que deve considerar o tipo complementado.[9] Se o complemento participa da determina\u00e7\u00e3o da conduta t\u00edpica, sua validade n\u00e3o pode ser presumida como assunto externo ao processo penal. A defesa precisa poder questionar a autoridade que o editou, a mat\u00e9ria alcan\u00e7ada e a correspond\u00eancia entre a disciplina administrativa e a prote\u00e7\u00e3o estabelecida na lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Da\u00ed a necessidade de justificar o recurso \u00e0 norma penal em branco. H\u00e1 uma justifica\u00e7\u00e3o que incumbe \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o legislativa: por que determinado aspecto da proibi\u00e7\u00e3o exige especifica\u00e7\u00e3o externa, qual parcela pode ser remetida e quais par\u00e2metros devem orientar sua defini\u00e7\u00e3o? A complexidade cient\u00edfica ou a necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o podem explicar a escolha, mas n\u00e3o demonstram, sozinhas, sua legitimidade. Como crit\u00e9rio de elabora\u00e7\u00e3o, defendemos que o legislador explicite o problema que pretende resolver e mostre por que a remiss\u00e3o preserva a determina\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o. A refer\u00eancia gen\u00e9rica \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da realidade n\u00e3o autoriza deixar ao administrador a escolha integral do que merecer\u00e1 puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">H\u00e1, depois, uma justifica\u00e7\u00e3o que incumbe \u00e0 autoridade complementadora. Ela deve demonstrar porque a disciplina editada cabe na habilita\u00e7\u00e3o recebida e quais raz\u00f5es sustentam o conte\u00fado adotado. A lei pode autorizar uma lista, um par\u00e2metro ou uma classifica\u00e7\u00e3o; disso n\u00e3o decorre que qualquer item, limite ou categoria possa ser introduzido. A motiva\u00e7\u00e3o precisa estabelecer a conex\u00e3o entre os dados examinados, a finalidade legal e a escolha normativa. Afirmar que o \u00f3rg\u00e3o possui conhecimento especializado \u00e9 insuficiente: \u00e9 preciso tornar control\u00e1vel o uso desse conhecimento naquela decis\u00e3o. Essa exig\u00eancia constitui, na tese aqui defendida, consequ\u00eancia da repercuss\u00e3o sancionadora da complementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">A Lei n\u00ba 11.343\/2006 permite visualizar o problema. Seu art. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, remete \u00e0 especifica\u00e7\u00e3o legal ou \u00e0s listas atualizadas pelo Executivo federal para a identifica\u00e7\u00e3o das drogas; o art. 66 refere-se \u00e0 Portaria SVS\/MS n\u00ba 344\/1998.[10] A lista participa da determina\u00e7\u00e3o do objeto material das infra\u00e7\u00f5es. Na edi\u00e7\u00e3o de uma atualiza\u00e7\u00e3o, portanto, duas perguntas n\u00e3o podem ser confundidas: <strong>qual dispositivo atribui \u00e0 autoridade a compet\u00eancia para alterar a lista<\/strong> e <strong>qual <\/strong><strong>regime legal confere relev\u00e2ncia penal \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o?<\/strong> A resposta \u00e0 primeira n\u00e3o torna desnecess\u00e1ria a segunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Imagine-se uma atualiza\u00e7\u00e3o que inclua uma subst\u00e2ncia. O exame jur\u00eddico n\u00e3o pode encerrar-se na assinatura da autoridade sanit\u00e1ria. Deve ser poss\u00edvel conhecer os elementos t\u00e9cnicos que sustentam a inclus\u00e3o, sua correspond\u00eancia com os crit\u00e9rios legais e o alcance preciso da altera\u00e7\u00e3o. O pre\u00e2mbulo identifica os fundamentos jur\u00eddicos pertinentes; a instru\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o explica por que aqueles fundamentos comportam a medida adotada. A gravidade da repercuss\u00e3o penal recomenda, ainda, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da subst\u00e2ncia, \u00e0 publicidade da atualiza\u00e7\u00e3o e \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de sua vig\u00eancia. Uma tabela tecnicamente obscura pode comprometer a compreens\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o tanto quanto uma remiss\u00e3o legal imprecisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O exemplo exige cuidado hist\u00f3rico: a Portaria n\u00ba 344 \u00e9 de 1998 e n\u00e3o poderia mencionar, originariamente, a lei de 2006. A remiss\u00e3o foi estabelecida pela legisla\u00e7\u00e3o posterior.[11] Isso demonstra que o v\u00ednculo entre lei e complemento nem sempre nasce com ambos os atos. A reda\u00e7\u00e3o de novos instrumentos, contudo, deve considerar o regime vigente, permitindo identificar a compet\u00eancia efetivamente exercida e a fun\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da atualiza\u00e7\u00e3o. Repetir o pre\u00e2mbulo de um ato antigo sem verificar mudan\u00e7as legislativas pode ocultar justamente a rela\u00e7\u00e3o que deveria ser esclarecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Outro exemplo decisivo est\u00e1 no art. 268 do C\u00f3digo Penal. No Tema 1.246 da repercuss\u00e3o geral, julgado no ARE 1.418.846, o STF admitiu sua complementa\u00e7\u00e3o por atos infralegais da Uni\u00e3o, dos estados, do Distrito Federal e dos munic\u00edpios, preservadas suas esferas de atua\u00e7\u00e3o.[12] A determina\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria local pode, assim, integrar a aplica\u00e7\u00e3o de um crime institu\u00eddo pela legisla\u00e7\u00e3o federal. A compet\u00eancia para proteger a sa\u00fade n\u00e3o se transforma, por isso, em compet\u00eancia local para criar crimes. O precedente reconhece uma rela\u00e7\u00e3o de complementa\u00e7\u00e3o, condicionada ao campo de atua\u00e7\u00e3o de cada ente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Essa condi\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancia pr\u00e1tica para a elabora\u00e7\u00e3o normativa. A autoridade deve esclarecer a compet\u00eancia sanit\u00e1ria exercida e o objeto da determina\u00e7\u00e3o; sua repercuss\u00e3o penal depende do enquadramento na lei federal. A men\u00e7\u00e3o ao art. 268 n\u00e3o transforma qualquer ordem administrativa em complemento penal v\u00e1lido. \u00c9 necess\u00e1rio que a medida corresponda ao campo material da previs\u00e3o incriminadora e seja juridicamente exig\u00edvel. Inversamente, a previs\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias no pre\u00e2mbulo n\u00e3o dispensa identificar, na imputa\u00e7\u00e3o, qual determina\u00e7\u00e3o foi descumprida e como ela se articula com o tipo. Essa aplica\u00e7\u00e3o ao problema da reda\u00e7\u00e3o normativa \u00e9 a conclus\u00e3o aqui proposta a partir do precedente, e n\u00e3o uma tese do STF sobre a nulidade de pre\u00e2mbulos incompletos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">\u00c9 nesse ponto que a indica\u00e7\u00e3o da base legal e a motiva\u00e7\u00e3o se encontram, sem se confundirem. O pre\u00e2mbulo deve mostrar de onde vem o poder e qual disciplina superior est\u00e1 sendo desenvolvida. A motiva\u00e7\u00e3o deve demonstrar porque esse poder foi exercido daquele modo. No \u00e2mbito federal, o art. 50, I e II, da Lei n\u00ba 9.784\/1999 exige a indica\u00e7\u00e3o de fatos e fundamentos jur\u00eddicos nos atos que afetem direitos ou imponham ou agravem deveres, encargos ou san\u00e7\u00f5es; seu \u00a7 1\u00ba admite a incorpora\u00e7\u00e3o de fundamentos de manifesta\u00e7\u00f5es anteriores.[13] A simples enumera\u00e7\u00e3o de artigos n\u00e3o realiza, por si, essa demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Tampouco se deve converter o pre\u00e2mbulo em exposi\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria ou sequ\u00eancia de justificativas. O Decreto n\u00ba 12.002\/2024 determina a an\u00e1lise pr\u00e9via do problema e da solu\u00e7\u00e3o, no art. 3\u00ba, e veda, como regra, os considerandos e explica\u00e7\u00f5es justificadoras no texto normativo, no art. 4\u00ba, \u00a7 3\u00ba.[5] Essa distin\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi examinada no artigo <em>\u201cA norma regula; a justificativa explica\u201d<\/em>, publicado na coluna Legislando, no qual sustentamos que a norma e a justificativa desempenham fun\u00e7\u00f5es distintas e, por isso, devem ocupar espa\u00e7os pr\u00f3prios.[16] A fundamenta\u00e7\u00e3o desenvolvida deve constar dos instrumentos pr\u00f3prios de instru\u00e7\u00e3o, como justificativa, exposi\u00e7\u00e3o de motivos, notas t\u00e9cnicas, pareceres e manifesta\u00e7\u00f5es integrantes do processo de elabora\u00e7\u00e3o. O dever de justificar permanece; o que muda \u00e9 o lugar adequado de sua apresenta\u00e7\u00e3o. Um pre\u00e2mbulo conciso pode conviver com fundamenta\u00e7\u00e3o extensa, acess\u00edvel e suficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">A proposta, portanto, \u00e9 de controle em tr\u00eas planos articulados. Examina-se a legitimidade da remiss\u00e3o legislativa, a validade e a justifica\u00e7\u00e3o do complemento e, finalmente, sua incid\u00eancia na imputa\u00e7\u00e3o concreta. A indica\u00e7\u00e3o da base legal torna vis\u00edvel a liga\u00e7\u00e3o entre os dois primeiros planos; a acusa\u00e7\u00e3o deve demonstrar a passagem ao terceiro. Uma falha em qualquer dessas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode ser suprida pela gravidade do fato imputado. O poder de punir pressup\u00f5e uma proibi\u00e7\u00e3o juridicamente formada, e a instru\u00e7\u00e3o do processo sancionador n\u00e3o autoriza criar retroativamente o fundamento normativo que faltava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">A segunda vertente \u00e9 a habilita\u00e7\u00e3o legal para o exerc\u00edcio da compet\u00eancia normativa. Aqui a pergunta central n\u00e3o \u00e9 apenas qual regra est\u00e1 sendo complementada, mas qual norma atribuiu \u00e0 entidade ou autoridade o poder de instituir a disciplina infralegal. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque a compet\u00eancia para fiscalizar, administrar um setor ou julgar processos n\u00e3o equivale, necessariamente, \u00e0 compet\u00eancia para estabelecer qualquer obriga\u00e7\u00e3o, infra\u00e7\u00e3o ou consequ\u00eancia punitiva. A atribui\u00e7\u00e3o precisa encontrar fundamento jur\u00eddico compat\u00edvel com a mat\u00e9ria e com o conte\u00fado que se pretende editar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">\u00c9 precisamente nesse ponto que a ADI 5.906 assume import\u00e2ncia. Ao examinar o poder normativo da ANTT, o Supremo Tribunal Federal afirmou que as ag\u00eancias \u201c<em>recebem da lei que as instituem uma delega\u00e7\u00e3o para exercer seu poder normativo de regula\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d.[14] A refer\u00eancia \u00e0 lei instituidora integra a explica\u00e7\u00e3o do poder exercido. A ag\u00eancia n\u00e3o obt\u00e9m compet\u00eancia normativa de sua pr\u00f3pria resolu\u00e7\u00e3o: atua em raz\u00e3o da habilita\u00e7\u00e3o legislativa e nos limites das finalidades e dos par\u00e2metros definidos pelo legislador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O julgamento tamb\u00e9m delimitou essa atua\u00e7\u00e3o, afastando inova\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria sem delega\u00e7\u00e3o expressa, regulamenta\u00e7\u00e3o sem par\u00e2metros legais e cria\u00e7\u00e3o ou aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas em lei. No caso concreto, a Corte reconheceu que a disciplina impugnada permanecia dentro da moldura legislativa. A decis\u00e3o n\u00e3o faz da lei uma refer\u00eancia dispens\u00e1vel depois de criada a ag\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, mant\u00e9m a lei como fundamento e limite da compet\u00eancia regulamentar. A consequ\u00eancia que extra\u00edmos para a Leg\u00edstica \u00e9 que esse v\u00ednculo deve aparecer no ato inferior, permitindo conferir a autoriza\u00e7\u00e3o invocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Sem transportar automaticamente para o direito penal os crit\u00e9rios de regula\u00e7\u00e3o administrativa, o regime da ANTT ilustra a segunda vertente. A conex\u00e3o pode ser demonstrada pela leitura conjugada da compet\u00eancia para dispor sobre infra\u00e7\u00f5es, san\u00e7\u00f5es e medidas administrativas, prevista no art. 24, XVIII, da Lei n\u00ba 10.233\/2001, com o regime legal de penalidades do art. 78-A e as demais disposi\u00e7\u00f5es pertinentes.[15] Na elabora\u00e7\u00e3o de um ato sancionador, citar apenas a norma de organiza\u00e7\u00e3o interna da ag\u00eancia pode deixar oculto o fundamento decisivo. O regimento pode explicar qual \u00f3rg\u00e3o delibera ou assina, mas essa distribui\u00e7\u00e3o interna n\u00e3o substitui a habilita\u00e7\u00e3o legislativa da mat\u00e9ria nem a autoriza\u00e7\u00e3o legal da san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Disso decorre uma consequ\u00eancia para a reda\u00e7\u00e3o normativa: a norma que habilita a atua\u00e7\u00e3o deve ser indicada no pre\u00e2mbulo do ato que a exerce. Quando a disposi\u00e7\u00e3o que atribui compet\u00eancia e a disposi\u00e7\u00e3o que estabelece o regime material forem distintas, ambas precisam ser identificadas na medida de sua pertin\u00eancia. Quando o mesmo dispositivo cumprir essas duas fun\u00e7\u00f5es, a refer\u00eancia deve permitir reconhec\u00ea-las. N\u00e3o se exige um invent\u00e1rio de toda a legisla\u00e7\u00e3o do setor; exige-se a indica\u00e7\u00e3o dos fundamentos que realmente sustentam o ato e delimitam a atua\u00e7\u00e3o de seu autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Essas duas vertentes podem coexistir. Uma resolu\u00e7\u00e3o pode desenvolver tecnicamente um dever legal e, simultaneamente, exercer compet\u00eancia regulamentar atribu\u00edda pela lei instituidora da entidade. A norma complementada responde pelo conte\u00fado integrado; a norma habilitante responde pela possibilidade jur\u00eddica da autoridade editar aquela complementa\u00e7\u00e3o. Confundi-las pode levar a dois erros: supor que a exist\u00eancia de uma mat\u00e9ria regul\u00e1vel autoriza qualquer \u00f3rg\u00e3o a regul\u00e1-la, ou imaginar que uma compet\u00eancia normativa gen\u00e9rica permite instituir qualquer proibi\u00e7\u00e3o ou san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Tamb\u00e9m conv\u00e9m precisar o sentido da delega\u00e7\u00e3o. A habilita\u00e7\u00e3o legislativa reconhecida pelo STF \u00e0s ag\u00eancias n\u00e3o se confunde com a delega\u00e7\u00e3o administrativa de atribui\u00e7\u00f5es entre \u00f3rg\u00e3os ou autoridades. No processo administrativo federal, o art. 13, I, da Lei n\u00ba 9.784\/1999 veda a delega\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de atos de car\u00e1ter normativo.[13] N\u00e3o seria correto invocar a ADI 5.906 como autoriza\u00e7\u00e3o geral para transfer\u00eancias administrativas dessa natureza. No contexto das ag\u00eancias, o fundamento examinado \u00e9 legislativo; uma portaria interna n\u00e3o pode substituir a habilita\u00e7\u00e3o que depende de lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">Para a defesa, a utilidade dessa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 substancial. A controv\u00e9rsia n\u00e3o se limita a saber se o acusado praticou a conduta descrita no auto de infra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio verificar se o comando invocado podia ser editado por aquela autoridade, se respeitou o campo da complementa\u00e7\u00e3o permitida e se a consequ\u00eancia punitiva encontra suporte legal. Como registramos na Teoria Geral da Defesa, no t\u00f3pico sobre tipicidade: \u201c<em>Havendo norma complementar, a acusa\u00e7\u00e3o deve identificar o v\u00ednculo entre ela e a base legal que autoriza sua incid\u00eancia, permitindo \u00e0 defesa reconstruir a cadeia normativa da imputa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d.[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O pre\u00e2mbulo n\u00e3o substitui essa demonstra\u00e7\u00e3o no processo, mas contribui para que ela seja poss\u00edvel. Sua reda\u00e7\u00e3o pode revelar, desde a edi\u00e7\u00e3o do ato, qual habilita\u00e7\u00e3o o \u00f3rg\u00e3o afirma exercer e qual regime legal pretende desenvolver. A pessoa submetida ao poder sancionador pode impugnar n\u00e3o apenas o enquadramento dos fatos, mas a pr\u00f3pria aptid\u00e3o jur\u00eddica da norma infralegal para integrar a imputa\u00e7\u00e3o. A indica\u00e7\u00e3o da base n\u00e3o \u00e9 favor ao administrado: integra a transpar\u00eancia exig\u00edvel de quem exerce uma compet\u00eancia capaz de repercutir sobre sua liberdade, seu patrim\u00f4nio ou sua atividade profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">\u00c9 necess\u00e1rio, por fim, distinguir a exist\u00eancia do fundamento de sua exterioriza\u00e7\u00e3o. A compet\u00eancia prov\u00e9m da norma habilitante, n\u00e3o da frase escrita no pre\u00e2mbulo. A refer\u00eancia correta n\u00e3o sana aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o, e a omiss\u00e3o de uma refer\u00eancia n\u00e3o se confunde automaticamente com inexist\u00eancia de base legal. Essa distin\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o torna facultativo o cumprimento da regra de elabora\u00e7\u00e3o. Significa que \u00e9 preciso distinguir a defici\u00eancia de indica\u00e7\u00e3o, a insufici\u00eancia da motiva\u00e7\u00e3o, a incompet\u00eancia da autoridade e a extrapola\u00e7\u00e3o material do regulamento. Cada problema reclama exame pr\u00f3prio; nenhum pode ser resolvido apenas pela inser\u00e7\u00e3o tardia de uma refer\u00eancia legislativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 1.75;margin: 0 0 1.15em 0\">O espa\u00e7o deixado em branco pela lei n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o livre de garantias. Quanto maior a participa\u00e7\u00e3o do complemento na determina\u00e7\u00e3o do proibido, mais rigoroso deve ser o exame de sua origem, de seu conte\u00fado e de sua justifica\u00e7\u00e3o. <strong>O pre\u00e2mbulo participa desse controle ao identificar a norma complementada e a habilita\u00e7\u00e3o da autoridade; a motiva\u00e7\u00e3o demonstra a pertin\u00eancia da escolha; a defesa submete essas rela\u00e7\u00f5es ao contradit\u00f3rio.<\/strong> <strong>A Leg\u00edstica alcan\u00e7a, nesse ponto, uma de suas fun\u00e7\u00f5es mais sens\u00edveis: permitir que o destinat\u00e1rio reconhe\u00e7a e questione os fundamentos do poder punitivo antes que a linguagem t\u00e9cnica do regulamento se converta em raz\u00e3o suficiente para puni-lo.<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"margin: 1.8em 0 0.8em;text-align: left\">Refer\u00eancias<\/h3>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[1] PEREIRA, Diogo Esteves. Teoria Geral da Defesa. Manuscrito em prepara\u00e7\u00e3o, vers\u00e3o para revis\u00e3o autoral de 11 out. 2026. Itens 13.4, \u201cPrinc\u00edpio da legalidade\u201d, e 13.4.1, \u201cTipicidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[2] BRASIL. Lei Complementar n\u00ba 95, de 26 de fevereiro de 1998, arts. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, e 6\u00ba. <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp95.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp95.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[3] PEREIRA, Diogo Esteves. A natureza da lei complementar 95\/98. Migalhas, 6 dez. 2024. <a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/420136\/a-natureza-da-lei-complementar-95-98\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/420136\/a-natureza-da-lei-complementar-95-98<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[4] PEREIRA, Diogo Esteves. Manual de Leg\u00edstica: teoria e pr\u00e1tica. 1. ed. S\u00e3o Paulo: JusPodivm, 2026. Parte III, coment\u00e1rios ao art. 6\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 95\/1998. <a href=\"https:\/\/www.editorajuspodivm.com.br\/manual-de-legistica-teoria-e-pratica-2026-pereira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.editorajuspodivm.com.br\/manual-de-legistica-teoria-e-pratica-2026-pereira<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[5] BRASIL. Decreto n\u00ba 12.002, de 22 de abril de 2024, arts. 2\u00ba, 3\u00ba e 4\u00ba, I, \u201cc\u201d, e \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba. <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2024\/decreto\/d12002.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2024\/decreto\/d12002.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[6] MARTELOZZO, Antonio. Normas penais em branco e elementos normativos do tipo. Revista Pesquisando Direito, v. 1, n. 2, 2024. <a href=\"https:\/\/revista.unicuritiba.edu.br\/index.php\/revteste\/article\/view\/6613\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/revista.unicuritiba.edu.br\/index.php\/revteste\/article\/view\/6613<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[7] CUNHA, Luiza Fontoura da. Normas penais em branco: uma breve an\u00e1lise sobre a sua constitucionalidade. Direito P\u00fablico, v. 8, n. 39, p. 113-134, maio\/jun. 2011, especialmente p. 131-133. <a href=\"https:\/\/www.portaldeperiodicos.idp.edu.br\/direitopublico\/article\/download\/1937\/1045\/7331\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.portaldeperiodicos.idp.edu.br\/direitopublico\/article\/download\/1937\/1045\/7331<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[8] AMARAL, Rodrigo Jos\u00e9 dos Santos. Controle do risco, imputa\u00e7\u00e3o objetiva e legalidade penal: um ensaio sobre os requisitos de legitimidade das t\u00e9cnicas de reenvio no Direito Penal. Revista do Instituto de Ci\u00eancias Penais, p. 69-94, dez. 2020, especialmente itens 5 a 9, p. 83-91. DOI: 10.46274\/1809-192XRICP2020v6p69-94. <a href=\"https:\/\/www.ricp.org.br\/index.php\/revista\/article\/download\/57\/150\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.ricp.org.br\/index.php\/revista\/article\/download\/57\/150<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[9] GUARAGNI, F\u00e1bio Andr\u00e9; PORTELA, Irene Maria; DEZTEL, Andr\u00e9 Eduardo. Harmoniza\u00e7\u00e3o entre a norma penal em branco e a teoria da imputa\u00e7\u00e3o objetiva: reflex\u00f5es a partir do artigo 268 do C\u00f3digo Penal. Revista Jur\u00eddica Unicuritiba, v. 2, n. 64, p. 712-733, 2021. Cita\u00e7\u00e3o: p. 729. DOI: 10.26668\/revistajur.2316-753X.v2i64.5131. <a href=\"https:\/\/revista.unicuritiba.edu.br\/index.php\/RevJur\/article\/download\/5131\/pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/revista.unicuritiba.edu.br\/index.php\/RevJur\/article\/download\/5131\/pdf<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[10] BRASIL. Lei n\u00ba 11.343, de 23 de agosto de 2006, arts. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, 33 e 66. <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11343.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11343.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[11] MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Portaria SVS\/MS n\u00ba 344, de 12 de maio de 1998. Pre\u00e2mbulo e regulamento t\u00e9cnico. <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/svs\/1998\/prt0344_12_05_1998_rep.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/svs\/1998\/prt0344_12_05_1998_rep.html<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[12] STF. ARE 1.418.846\/RS, Tema 1.246 da repercuss\u00e3o geral. Complementa\u00e7\u00e3o do art. 268 do C\u00f3digo Penal por atos normativos dos entes federados. Repercuss\u00e3o geral com reafirma\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia, 25 mar. 2023. <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/tema.asp?num=1246\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/tema.asp?num=1246<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[13] BRASIL. Lei n\u00ba 9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 13, I, e 50, I e II, e \u00a7 1\u00ba. <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9784.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9784.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[14] STF. ADI 5.906\/DF. Relator Ministro Marco Aur\u00e9lio; redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Alexandre de Moraes. Tribunal Pleno. Julgamento registrado em 6 mar. 2023; publica\u00e7\u00e3o em 16 mar. 2023. Ementa, itens 1 a 4. Processo: <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5365387\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5365387<\/a> . Pronunciamento oficial que reproduz a ementa: <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verPronunciamento.asp?pronunciamento=11083638\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verPronunciamento.asp?pronunciamento=11083638<\/a> . Reprodu\u00e7\u00e3o conferida tamb\u00e9m em ac\u00f3rd\u00e3o do TRF da 3\u00aa Regi\u00e3o: <a href=\"https:\/\/web.trf3.jus.br\/acordaos\/Acordao\/BuscarDocumentoPje\/289228889\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/web.trf3.jus.br\/acordaos\/Acordao\/BuscarDocumentoPje\/289228889<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[15] BRASIL. Lei n\u00ba 10.233, de 5 de junho de 2001, arts. 24, XVIII, e 78-A. <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/leis_2001\/l10233.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/leis_2001\/l10233.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;line-height: 1.6;margin: 0 0 0.75em 0\">[16] PEREIRA, Diogo Esteves. A norma regula; a justificativa explica. Meu Site Jur\u00eddico, 22 set. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/2026\/09\/22\/a-norma-regula-a-justificativa-explica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/2026\/09\/22\/a-norma-regula-a-justificativa-explica\/<\/a> . 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Especialista em Direito Pr\u00e1tica Processual nos Tribunais pelo Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia \u2013 UniCEUB (2013). Membro Examinador de Banca de Monografia da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Lato Sensu do Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia \u2013 UniCEUB (2013). Coordenador da Cole\u00e7\u00e3o Teses Defensivas, da Editora Juspodivm. Autor da obra Teses Defensivas Improbidade Administrativa, da Editora Juspodivm. \u2060Coautor da obra Ass\u00e9dio Moral e Viol\u00eancia no trabalho: Guia completo para ambientes seguros no setor p\u00fablico e privado, da editora Juspodivm. \u2060Autor da obra Manual de Leg\u00edstica: teoria e pr\u00e1tica, da Editora Juspodivm e de diversos artigos publicados nas Revistas Jur\u00eddicas Conjur, Migalhas, Jota e C\u00e1tedras.\",\"sameAs\":[\"https:\/\/www.editorajuspodivm.com.br\/authors\/page\/view\/id\/6169\/\"],\"url\":\"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/author\/413122014635\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Da lei ao regulamento: o pre\u00e2mbulo como elo da legalidade sancionadora - Meu site jur\u00eddico","description":"O pre\u00e2mbulo dos atos regulamentares revela a base legal da compet\u00eancia e os limites da complementa\u00e7\u00e3o de normas sancionadoras.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/2026\/11\/08\/da-lei-ao-regulamento-o-preambulo-como-elo-da-legalidade-sancionadora\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Da lei ao regulamento: o pre\u00e2mbulo como elo da legalidade sancionadora - 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Encarregado da Prote\u00e7\u00e3o de Dados do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins. Procurador-Chefe da C\u00e2mara Municipal de Aragua\u00edna\/TO (2024). Subprocurador-Geral do Munic\u00edpio de Aragua\u00edna\/TO (2023). Presidente da Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a, Transporte e Tr\u00e2nsito do Munic\u00edpio de Aragua\u00edna\/TO (2022\/2023). Coordenador da Subchefia de Assuntos Jur\u00eddicos da Casa Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (2016). Assistente T\u00e9cnico na Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (2013\/2015). Coordenador Substituto de Processo Administrativo Disciplinar no Minist\u00e9rio dos Transportes (2010\/2011). Conciliador do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios (2008\/2009). Assistente T\u00e9cnico no Minist\u00e9rio dos Transportes (2007\/2011). Advogado desde 2012. Especialista em Direito Pr\u00e1tica Processual nos Tribunais pelo Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia \u2013 UniCEUB (2013). Membro Examinador de Banca de Monografia da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Lato Sensu do Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia \u2013 UniCEUB (2013). Coordenador da Cole\u00e7\u00e3o Teses Defensivas, da Editora Juspodivm. Autor da obra Teses Defensivas Improbidade Administrativa, da Editora Juspodivm. \u2060Coautor da obra Ass\u00e9dio Moral e Viol\u00eancia no trabalho: Guia completo para ambientes seguros no setor p\u00fablico e privado, da editora Juspodivm. \u2060Autor da obra Manual de Leg\u00edstica: teoria e pr\u00e1tica, da Editora Juspodivm e de diversos artigos publicados nas Revistas Jur\u00eddicas Conjur, Migalhas, Jota e C\u00e1tedras.","sameAs":["https:\/\/www.editorajuspodivm.com.br\/authors\/page\/view\/id\/6169\/"],"url":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/author\/413122014635\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/posts\/24718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/users\/255"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/comments?post=24718"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/posts\/24718\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24719,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/posts\/24718\/revisions\/24719"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/media\/23728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/media?parent=24718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/categories?post=24718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/meusitejuridico.com.br\/api\/wp\/v2\/tags?post=24718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}